Por Frei Almir R. Guimarães, OFM
VIII Semana do Tempo Comum
1Pedro 1, 3-9; Marcos 10, 17-27
Lá vai Jesus fazendo seu caminho no meio da vida dos homens. Os evangelhos nos falam de muitos encontros que o Senhor ia tendo ao longo do tempo. Desta feita Marcos nos fala de alguém que se aproximou de Jesus. Este, numa postura de respeito e mesmo de veneração, ajoelhou-se e disse: “Bom Mestre comecei a te conhecer. Tu és diferente. Tu abres as cortinas de um amanhã insuspeitado. O que devo fazer para entrar nesse universo esplendoroso de que tu falas, nesse esquema de uma vida em plenitude aqui e para a além dos tempos?”. Jesus responde assim: “Tu conheces os mandamentos: amarás o Senhor Deus de todo o coração, com fidelidade, com generosidade. Tu sabes disto. E também amarás o teu próximo como a ti mesmo: respeito pelos pais, pelos bens dos outros, por sua reputação e assim por diante… ou seja, o próximo será objeto de delicadas atenções de tua a parte. O homem responde: “Mestre, tudo isso eu tenho observado desde a minha juventude”. Eis aí um homem reto.
Marcos interrompe o diálogo para fazer uma pequena observação de toda beleza: Jesus olhou para o homem com amor. Esse olhar de Jesus, esse direcionar de sua intimidade para esse homem reto sempre nos emociona. E Jesus prossegue: “Só te falta uma coisa. Tu deverás te desvencilhar de tudo aquilo que te prende a ti mesmo, apegos a coisas, a bens, a pessoas. Deverás efetuar a venda de tudo e dar o resultado aos pobres e depois terás um tesouro no céus”. Depois de tomadas essas medidas o homem haveria de seguir Jesus. Jesus queria que esse homem reto tivesse a coragem de dar esse passo. Isso lhe faltava para atingir uma estatura espiritual elevada e muito semelhante ao jeito de ser do Mestre.
Não sabemos que resposta o homem esperava da parte de Jesus. Marcos faz a seguinte observação: “Quando o homem ouviu isto ficou abatido e foi embora cheio de tristeza porque tinha muitos bens”. Jesus quer seguidores de coração unido e não dividido. Há os que deseja seguir o Mestre mas têm medo de lançar-se na aventura da fé e da entrega irrestrita, sem garantias humanas. O homem perdeu a chance única de chegar à plenitude de seu existir. Esta decisão é difícil de ser tomada. Necessita de uma força do alto. Por isso, o evangelista lembra: “Para os homens isto é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”. T
