Manchetes

Para escrever seus Comentários, clique no título da Postagem. Paz e Bem!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A plena e perfeita Paciência


São Cipriano, no texto que abaixo transcrevemos, nos leva a meditar na perfeita paciência de Cristo em sua dolorida paixão. Sirva esta página de meditação para essa nossa Quarta-feira Santa:
“Aquele que dissera ter ele próprio descido para fazer a vontade do Pai, entre outras maravilhas de suas virtudes pelas quais expressou os sinais da divina majestade, observou também a paciência paterna pela prática da mansidão. Enfim, todos os seus atos, imediatamente após sua vinda, são assinalados pela presença da paciência. Pois, descendo daquela sublimidade celeste à terra, o Filho de Deus não recusa revestir-se da carne nem carregar os nossos pecados, mesmo não sendo pecador.
Sendo imortal, não recusa tornar-se mortal para que inocente morresse pela salvação dos culpados. O Senhor é batizado pelo servo; assim , o que haveria de perdoar os pecados, não recusa lavar seu corpo no banho da regeneração. Jejua durante quarenta dias e através desse jejum os outros são alimentados; sente fome para que os que estiverem com fome da palavra e da graça se saciem com o pão celeste. Enfrenta o demônio que o tenta e contenta-se de ter vencido tão forte inimigo, que em nada reage além das palavras.
Com poder divino presidiu os discípulos, não como estes fossem servos, mas benigno e manso, amou-os com caridade fraterna. Dignou-se também lavar os pés dos apóstolos, para que, enquanto é o Senhor junto do servos, ensinasse com seu exemplo de que modo junto aos companheiros e semelhantes, devia ser conservo ( ou seja, um servo com).
Não é de admirar que junto com os companheiros obedientes se mostrasse de tal maneira que pôde suportar Judas ao extremo. Com paciência infinita, toma alimento com o inimigo doméstico, sem publicamente manifestar, sem recusar o ósculo do traidor.
Durante a própria paixão e cruz, antes que chegasse a crueldade da morte e a efusão do sangue, ouviu pacientemente as injúrias das palavras e tolerou as blasfêmias. Recebeu daqueles que o insultavam, escarros ele que que com saliva um pouco antes, abrira os olhos do cego. Foi flagelado quem, pela força do próprio nome, flagela o diabo com os seus anjos. Foi coroado de espinhos que, com flores eternas, coroa os mártires. Sofreu açoites na face, com palmas quem concede verdadeiras palmas aos vencedores. Foi despojado da veste terrena quem aos outros veste com a imortalidade. Foi alimentado com fel quem oferece alimento celeste. Foi com vinagre saciado em sua sede quem brindou os outros com uma bebida salutar!
Ele, inocente, justo, a própria inocência e a própria justiça é julgado entre criminosos e, com falsos testemunhos, é esmagado, ele, a própria verdade. É julgado quem há de julgar. Ele, a Palavra de Deus, em silêncio é levado ao sacrifício. E quando, junto à cruz do Senhor, as estrelas se confundem, os elementos se perturbam, a terra treme, a noite encerra o dia, ele não fala e não se move, nem manifesta sua majestade, nem ao menos durante a própria paixão. Até o fim, perseverante e continuamente, tudo é tolerado para que se consuma em Cristo, a plena e perfeita paciência. (Lecionário Monástico II, p. 545-547). T

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...