Por Ian Farias.
O Santo Padre Bento XVI
conclamou, como é sabido em todo mundo, o Ano da Fé, em comemoração do
cinquentenário do Concílio Vaticano II e dos 20 anos do Catecismo da Igreja
Católica. A convocação deu-se na Carta Apostólica Porta Fidei, escrita em forma de Motu Proprio. Na abertura da carta
o Santo Padre nos diz: “A PORTA DA FÉ (cf. At 14, 27), que introduz na
vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta
para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e
o coração se deixa plasmar pela graça que transforma” (nº 1).
Trata-se de recobrarmos
o valor transcendental da fé, a sua mais alta dignidade. Nesta Virtude Teologal
Deus manifesta ao homem que ele não se encontra só, não está isolado das
realidades, mas constitui um povo, chamado a exercer livremente a sua adoção filial. E, como filhos, primamos sobretudo pelo ingresso à fé, que dar-se-á
no sacramento batismal, realizado após o anúncio da Palavra, crida e
confessada com a vida.
O Ano da Fé é propício
também em um período que temos sido afrontados por ondas diversas, que tendem a
fazer-nos questionar e duvidar da confiança em Deus. De fato, a fé não deve ser
reduzida ao redil da razão, mas é ato de confiança e de plena entrega à bondade
divina. É dom de Deus, é certeza constante, é indubitável. "Conhecer, de fato,
poderia ser uma operação somente intelectual, enquanto “reconhecer” quer
significar a necessidade de descobrir a ligação profunda entre a
verdade que professamos no Credo e a nossa existência cotidiana, para
que esta verdade seja verdadeiramente e concretamente – como sempre foi –
luz para os passos do nosso viver, água que irriga o calor do nosso
caminho, vida que vence certos desertos da vida contemporânea. No Credo
se enxerta a vida moral do cristão, que nesse encontra o seu fundamento
e a sua justificativa" (Catequese do Santo Padre Bento XVI, 18 de outubro 2012).
Este ano, que vai de 11 de outubro de 2012 até 24 de novembro de 2013, deve ser um convite à renovação e consolidação da nossa fé, fragilizada tantas vezes por
demasiados pensamentos. Fé não é apenas racionalidade desafiadora, mas é também
pureza consolidada no Deus frágil, que se tornou um de nós, mas que não perde a
sua condição divina. Fragilidade e Fortaleza, aparentemente se contradizem (e
muito!), mas na fé cristã elas se complementam, uma ajuda a outra, uma cede
espaço a outra e assim as duas caminham juntas.
Para melhor
aprofundarmos este ano tão caríssimo a nós, iniciaremos algumas meditações sobre
os documentos conciliares, procurando frisar os principais aspectos de cada um
e a essência do tema neles contido.
Celebramos neste dia, com
toda a Igreja, a Festa de São Lucas, Evangelista. Ele que inspirou o terceiro
evangelho, seja para nós sinal de uma fé convicta, radicada nos ensinamentos de
Cristo e autêntica para enfrentar as adversidades. Que o seu exemplo nos faça
sempre portar uma fé vitoriosa e viva, na expectativa da nossa ressurreição
final.
Por fim, esperamos que
o Ano da Fé frutifique no coração de cada um o ardente desejo de procurar a
Cristo e de encontrá-Lo. E, com toda a Igreja, queremos entoar do nosso íntimo: Audage nobis fidem! T
