Manchetes

Para escrever seus Comentários, clique no título da Postagem. Paz e Bem!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

É preciso contar estrelas


frei Rui Depiné, OFM. *



É natal.
Duas horas da manhã.
Alguém bate à minha porta. Não imagino quem seja. “Talvez, um bêbado ou um desesperado”.
Tudo muito Estranho...
Olho pelo visor. Identifico: um paciente da psiquiatria. Um homem escuro, alto, forte, voz firme, de boas maneiras.
Abro a porta: “O que o senhor quer? Vá para o pavilhão. Devem estar à sua procura”.
Em tom cordial ele exclama: “O seu padre, vem cá, quero que conte as estrelas para mim”.
Nunca me passou pela cabeça, contar as estrelas. Olhei de relance para o firmamento: astros ao infinito iluminando as trevas. Profusão de lantejoulas, que só Deus contaria.
Tarefa impossível a um simples mortal. O homem insistiu: “Conte as estrelas para mim”. Está bem! Vamos contar juntos. Vamos dividir o céu em duas metades. O Senhor conta à direita e eu conto à esquerda. Não tardei.
“Já contei tudo: as minhas e as suas também”. Indagou ele: “Quantas são?” Cento e quarenta milhões e cento e vinte mil estrelas visíveis, fora as escondidas. “Contou certo?” Sim, pode conferir. Sorrindo, ele pôs a mão no meu ombro e disse: “– Pelo menos um homem no mundo contou as estrelas para mim”.
Nunca recebi tamanho elogio. Isto me fez pensar: é tão fácil contar as estrelas... Por que nós não contamos as estrelas para os outros? Me ensinou o homem da psiquiatria, o que eu não aprendera nos bancos da escola: Contar as estrelas, não era simplesmente contar as estrelas...
Era dar um pingo de atenção ao outro.
Por todos aqueles que contam as estrelas...
Obrigado Senhor.

Feliz Natal!


T

Texto publicado originalmente em: www.freimaffeiofm.com.br

* Frei Rui frade franciscano da Ordem dos Frades Menores da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e é capelão do Hospital de Hanseníase de Piraquara – PR.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...