Antes de tratar a educação medieval em si, é de suma importância definir o que é a educação. Educar vem do latim “educare”, por sua vez ligado a “educere”, verbo composto do prefixo ex (fora) + ducere (conduzir, levar), e significa literalmente 'conduzir para fora', ou seja, preparar o indivíduo para o mundo. Segundo o sociólogo Durkheim, em sua obra Educação e Sociologia “o fim da educação é desenvolver, em cada indivíduo, toda a perfeição de que ele seja capaz”, e a educação é senão o meio pelo qual a sociedade prepara o indivíduo (crianças) para as condições essenciais para existência (p. 29-30, 1952). Pode-se perceber que a educação está além do âmbito de instrução. Ela abrange o comportamental do individuo e sua preparação para a vida
A instrução formal, entretanto, era – e ainda é- apenas um nível de educação. Na Idade Média, o educar vai além e assume o papel de treinamento e aprendizado, a prática da teoria (Martínez, Juan Maria, org. 1996, p. 150).
No período medieval, o homem possui uma concepção divina, e nisto se fundamenta a educação que se restringia a uma pequena minoria, essencialmente masculina, que poderia ser justificada pelo fator da educação ser ministrada pela Igreja, através das ordens monacais, escolas paroquiais ou nas catedrais, uma vez que predominava a concepção de uma sociedade patriarcal. No entanto, é errôneo afirmar que o exercício da educação era restrito a Igreja. Segundo Loyn (1991, p. 127-128), na Itália por volta do século XIII, houve a iniciativa de contratação de professores para ensinar em vários níveis, seja elas em instituições ou nos lares, independentes do ensino eclesiástico. Nesse período, há também registros de ensino particular e informal, partindo até o autodidatismo. E neste contexto em que se mesclam o ensino secular e religioso, o índice de alfabetizados aumenta, fazendo-nos refletir que é possível a união entre essas duas vertentes e que esta apresenta bons frutos quando ocorre. T