domingo, 19 de dezembro de 2010
Sejamos justos como São José!
Neste último Domingo do Advento a Liturgia nos convida a centrarmos nossa atenção neste tempo de expectativa pela vinda iminente do Senhor. Já nesta última semana as nossas expectativas crescem ainda mais, pois o Menino-Deus faz-se homem, encarna-se em Maria e traz-nos a graça salvadora. “Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal: Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7, 3-14).
O que poderíamos compreender desta veemente exortação do Profeta que chega a nossos dias? Em primeiro lugar tenhamos em mente que o contexto da época faz com que o profeta seja duro em suas palavras. Vejo particularmente em Isaías uma característica que sobressai mais em relação aos outros profetas: tentar reconciliar os homens com Deus. Vemos, por exemplo, no capítulo 59: “Não foi o braço do Senhor que ficou curto demais para salvar, nem ficaram surdos seus ouvidos e, ele, incapaz de escutar. Ao contrário, vossas injustiças é que viraram um abismo a distanciar-vos do vosso Deus, foram vossos pecados que esconderam a divina Face, impedindo-o de escutar” (vv. 1-2).
Estas fortes palavras incidem na atual sociedade e mostra-nos o caminho que tomam os povos de hoje. Não é Deus que se afasta, mas nós nos afastamos de Deus, e quando d'Ele nos afastamos tendemos a cair num existencialismo vazio, e mais que isso: atiramo-nos em um abismo provocado por nós mesmos. Abramo-nos a Deus e experimentemos a sua benévola graça. Que o Senhor não retenha seu rosto de nossa presença e que nossas injustiças não nos façam ficar sem contemplar o rosto do Senhor.
Na segunda leitura São Paulo, escrevendo aos Romanos, define-se no início solene de sua carta: servo, apóstolo e eleito. Três aspectos que são mútuos e intrinsecamente relacionados.
“Por ele recebemos a graça da vocação para o apostolado, a fim de trazermos à obediência da fé, para a glória de seu nome, todas as nações” (Rm 1, 5).
Somos chamados à vocação do Apostolado. Jamais um cristão poderá ausentar-se de sua missão, que lhe foi confiada pelo próprio Cristo. Também em uma sociedade que busca afastar-se de Deus, aí a Igreja deve manifestar sua missão, sem temer as ciladas e investiduras do demônio.
O evangelho narra a origem de Jesus Cristo, concebido por meio do Espírito no seio virginal de Maria. Sobressai também a figura de José, homem justo, que aceita o Filho mesmo sem possuir a paternidade biológica. Após saber que Maria estava grávida, e sem saber que era por ação do Espírito Santo, ele decide abandonar Maria em segredo, mas eis que aparece o anjo e ordena-lhe que não o fizesse, pois o menino era obra o Espírito.
É preciso termos a paciência e amor de Maria para gerarmos Jesus em nosso íntimo, e termos a justiça e fidelidade de José para assumirmos Aquele que vem, e em nós quer tudo renovar.
Somente nesta união indelével poderemos caminhar para a vinda do Senhor, que, rebaixando-se a nossa condição, nos convida a olharmos para aquela gruta de Belém, no frio e na pobreza, e a ali reconhecermos o Salvador que vem, e nos convida a estarmos sempre com Ele. Mesmo nas dificuldades aquele pequeno bebê nos aponta um caminho de grandeza espiritual e de segurança.
Maria Santíssima e São José nos ajudem nesta caminhada T