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domingo, 5 de dezembro de 2010

Homilia do 2º Domingo do Advento, por Pe. Aluisio Ricardo (em Libras)

"A nossa geração espera ansiosamente um futuro de liberdade"

Deus vem, portador de salvação para todos. A mensagem que acompanha sua vinda fala de paz e reconciliação. Isaías (1ª leitura) a simboliza apresentando o que se passa entre inimigos "naturais" que lutam pela sobrevivência; é real e simbólica ao mesmo tempo a mensagem apresentada pelo Apóstolo (2ª leitura) entre inimigos "culturais", que se opõem por diversidade de religião. A reconciliação, que se faz na comunidade cristã, entre os que provêm do judaísmo e os do paganismo, está sempre sujeita à precariedade, ao equilíbrio instável; existe no presente e se entrega à esperança quanto ao futuro. É todavia o sinal de um mundo reconciliado em Cristo, onde não se levam em conta os privilégios de raça e tudo o que separa; só o que une é levado em conta: a fé no único Senhor e Salvador.

Neste caso, a salvação significa romper todas as barreiras, sair de si para entrar nos outros, abrir-se para a revelação recíproca, perdoar-se e amar-se como gente, como filhos de Deus. Assim fez conosco o Senhor Jesus, respeitando as demoras e as responsabilidades de diálogo das pessoas: no passado, aproximando-se dos hebreus como realizador da "fidelidade" de Deus, e dos pagãos como portador de um amor gratuito; hoje e sempre, suscitando em cada pessoa, povo, geração, uma resposta original que depois se torne riqueza comum.

Não é, pois, uma utopia, esperar uma humanidade reconciliada, apesar das guerras e divisões atuais, dos desequilíbrios e discriminações; porque a salvação definitiva é obra do Senhor que vem e que virá, e pede aos seus amigos que colaborem para que seu plano se torne cada vez mais uma realidade efetiva. Isto significa aceitar a mensagem do Batista, que hoje é a da Igreja, do Papa, dos homens mais lúcidos e engajados, que são os profetas do nosso tempo, e produzir frutos de penitência e conversão.

Aceitar-nos reciprocamente é um convite que a Igreja nos dirige. A coexistência dos cristãos de origem judaica com os de origem pagã nem sempre foi fácil nas comunidades primitivas. Conhecemos a tentação de reserva que os primeiros tinham em relação aos outros e as divisões suscitadas. Mas as palavras de São Paulo valem também para as nossas comunidades de hoje. O cristão, com muita freqüência, considera sua pertença ao povo de Deus como um privilégio que o separa dos demais, uma espécie de "marca de qualidade", muitos cristãos pertencem a grupos sociológicos aos quais cabe fazer as maiores concessões a fim de que a coexistência dos homens, dos blocos ideológicos, das raças e das classes sociais se torne realidade.
A eucaristia proporciona aos cristãos a oportunidade de provar seu universalismo e recusar uma separação entre "fracos" e "fortes", uma vez que nesta mesa o Senhor se oferece por todos. É o "vínculo da união": união com os irmãos, união com Deus em Cristo.

O anúncio da libertação trazida por Cristo suscita uma grande esperança. A nossa geração espera ansiosamente um futuro de liberdade, apesar da fuga de muitos para um passado de recordações, ou para um presente de alienações. O povo de Deus mantém viva no mundo esta esperança quando, com os olhos no futuro, vive no presente de modo a merecer confiança, isto é, com fé, caridade e firme esperança.

Nosso encontro com os outros deve ultrapassar os estreitos limites da pura cortesia e da convivência social; do contrário se esvaziará. A categoria social fundamental é a relação "eu-tu". Ora, o "tu" do outro homem é o "tu" divino.

Cada "tu" humano é imagem do "tu" divino. Em conseqüência, o caminho para os outros e o caminho para Deus coincidem; trata-se de aceitar ou recusar. O relacionamento real (não só as "boas maneiras") com o outro varia conforme o relacionamento com Deus. Somente na comunidade eclesial, a dos que estão voltados para Deus, é que se pode viver realmente o encontro com os outros, dentro de um mesmo amor. T
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