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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Reino está entre nós, mas ainda não se completou...

Nosso Deus é o Deus de Amor. Não pode salvar o homem sem ele; por isso, faz aliança com seu povo; a salvação é o encontro de duas fidelidades. Mas se Deus é fiel, o povo não o é. Sob a ação dos profetas nasce a esperança e a expectativa de um homem que finalmente saberá dar a Deus uma fidelidade absoluta e incondicional: o Messias. Quando ele vier, Deus concederá ao seu povo a plenitude prometida. Uma promessa de vida tal que nada mais haverá de comum entre o mundo presente e o novo paraíso. Uma nova terra, novos céus. Um coração novo tornará o homem sensível à ação do Espírito do Senhor e seu santo modo de operar.

No discurso escatológico, Jesus explica o significado da sua intenção messiânica, usando o vocabulário e os temas da literatura apocalíptica, linguagem difícil para nós. A intervenção histórica do Filho do homem inaugura os últimos tempos. A plenitude de vida é concedida. A obra do Messias tem o cunho do universalismo. Ele deve reunir todos os homens dos quatro pontos da terra, porque todos são chamados a ser filhos do Pai. Jerusalém é condenada porque traiu sua missão, transformando em privilégio para si o serviço a ser prestado a todos os povos; não renunciou a seu particularismo.

O reino do Filho do homem não é o triunfo sobre os inimigos do povo, mas seu caminho de obediência até a morte de cruz. O caminho para chegar à plenitude desejada é diferente do que o povo esperava; é necessário passar pela morte para entrar na vida eterna; porque a morte, aceita por obediência, pode ser neste mundo a realidade onde se consuma e se realiza o maior amor por Deus e por todos os homens.

Intervindo na história de modo diferente da expectativa do povo, Jesus de Nazaré não traz uma plenitude totalmente pronta. Não é uma intervenção mágica que responsabiliza o homem. É verdade que chegou a plenitude prometida, mas espera ser completada. É um dom, mas simultaneamente uma conquista. A plenitude verdadeiramente última será também o encontro de duas fidelidades.

Depois da ressurreição de Cristo, a reunião da humanidade inteira numa comunhão de amor com Deus se faz gradualmente, e o mundo entra numa fase decisiva de seu crescimento, em vista recapitulação universal em Jesus Cristo. E, como tal,  deve seguir o caminho do Mestre: a morte para a vida. E deve continuamente superar também a tentação de identificar-se com o reino definitivo e de se fechar no particularismo.

Os muros de separação, que os povos e as áreas culturais não deixam de elevar entre si, são fundamentalmente o obstáculo mais grave à comunhão universal. A missão da Igreja é superar este obstáculo. O meio é o amor aos inimigos, que destrói as barreiras postas pelo homem. Hoje mais do que nunca damo-nos conta da extraordinária amplitude da tarefa da Igreja.

Além disso, pode-se medir a relação que liga, em sua distinção, a missão e a obra das civilizações. Um dos problemas fundamentais do nosso tempo é o encontro das culturas. É problema político, social, econômico, mas não somente isso. Sem o amor gratuito e universal, não se poderá chegar à solução.

Toda a Igreja é missionária, em virtude da mesma caridade com que Deus enviou seu Filho para a salvação de todos os homens. E a única é a sua missão, a de se fazer próxima de todos os homens e todos os povos, para se tornar sinal universal e instrumento eficaz da paz de Cristo.

Lendo o discurso escatológico de Lc 21, sente-se como desapareceu agora a preocupação de uma vinda imediata do Senhor, e como a destruição de Jerusalém já coisa do passado. O evangelista a lembra para dizer aos cristãos que Jesus tinha razão, e para infundir-lhes confiança nas outras palavras de Jesus. O Senhor não os enganou. A perseguição que sofrem agora fora anunciada pelas palavras de Jesus. Por outro lado, só lhes acontece o que aconteceu antes a Jesus. E com relação a como terminará sua existência, está dito: salvar-se-á quem perseverar.

Sobre este último ponto, São Lucas caracteriza ulteriormente o seu discurso: a vinda do Senhor é, para o cristão, alegria, plenitude e libertação; mas, ao mesmo tempo, ele não se deve deixar levar por uma falsa insegurança. T
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