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sábado, 10 de julho de 2010

Bandeiras que mobilizam a consciência atual

frei Almir R. Guimarães, OFM

"Francisco desempenha hoje um papel invejável nos encontros ecumênicos e inter-religiosos, pois recebe comum aceitação e respeito não só de católicos mas de quantos acreditam nos valores humanos e na vida. É que ele não traz a marca da polêmica, mas da simpatia; não combate heresias, a não ser com o exemplo; valoriza mais a escuta do que a fala; e, no dizer de N. Kazantzakis, escuta a música dos pássaros, mas também lhe interpreta a letra. Em sua vida, busca o diálogo até com o sultão em tempo de plena cruzada; intervém para mediar a reconciliação entre o prefeito e o bispo de Assis e para restabelecer a paz em situações em que está rompida".


Assim o carisma franciscano mostra sua atualidade. Subsiste uma misteriosa afinidade ou cumplicidade entre o carisma franciscano e as melhores bandeiras que mobilizam a consciência atual, quais sejam: a bandeira da solidariedade para com os pequenos e a da justiça social, expressão prática da minoridade; a bandeira da paz, constitutiva do anúncio franciscano e tão cara a São Francisco; a bandeira da ecologia, que tem em Francisco seu patrono e inspirador; a bandeira da sobriedade e frugalidade, face ao consumismo, e a da fraternidade, face à tentação de medir as pessoas pelo poder ou riqueza que possuem; a bandeira do diálogo e do ecumenismo, em todos os níveis, como condição de sobrevivência de nossa espécie, e a bandeira das relações de gênero, chance histórica única confiada às atuais gerações.


Hoje e aqui, sob o império da mais-valia, do desejo de lucro, do consumismo, quando de forma avassaladora a antropolatria, na sua face mais cínica a indiferença para com as criaturas, a exclusão dos pequenos, o aburguesamento -, a voracidade insaciável do sempre mais ter, parece não reter seus passos nem mesmo no espaço religioso e eclesial, exatamente aqui, interpelam-nos Francisco e Clara a andarmos em outras trilhas. Interpelam-nos a não esquecermos a partilha do pouco que somos e temos, a solidariedade dos pequenos gestos, que se não são suficientes para afrontar a frieza do mundo e os abusos contra as criaturas, nem para debelar a complexidade das dissimetrias sociais e econômicas, a miséria das maiorias e a violência das guerras, declaradas ou não pelo menos poderão levar o conforto de uma presença e um raio de esperança aos humildes: a esperança de que, no chão da América Latina e do Caribe, as trevas não haverão de ser isentas de luz na noite de seus sofrimentos. T
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