2. Clara de Assis, mãe e mestra
Seguindo as pegadas de seu inspirador, São Francisco, Clara de Assis deixa tudo o que possuía para abrir-se para uma nova possibilidade de vida, tornado-se assim, uma incomparável mestra espiritual. Santa Clara optou por viver, juntamente com suas irmãs, a forma de vida franciscana radicalmente, tendo a pobreza como a expressão de um amor apaixonado por Jesus Cristo.Os escritos de Clara revelam uma cultura de um certo nível e uma grande capacidade de compreensão do real e de intervenção sobre ele, como também de guiar não só um mosteiro, mas um vasto movimento feminino, em constante contato com a vida e os problemas da Ordem dos Menores . (1)
Clara de Assis, corajosa, volitiva, solicita e materna, prática e concreta, soube buscar em Francisco a sua inspiração primeira para seguir Jesus Cristo, pobre, humilde e crucificado. Esta grande mística que o mundo conheceu soube conduzir suas coirmãs com veemência e empenho para que todas pudessem palmilhar na vida religiosa como mãe e serva uma das outras. Entendendo proficuamente o que o Cristo fez ao vir a este mundo, o que se traduz como a interiorização da Kénosis do Filho de Deus, vivendo, assim como, aquele que veio para servir e não ser servido.
O ‘Homem’ de Assis pode encontrar em Clara, aquela figura feminina que lhe apoiou humanamente e espiritual, resultando em uma reciprocidade entre estes dois grandes mestres. “Clara está convencida de ter florescido como primeira plantinha no terreno virgem da dedicação total de Francisco a Deus, à escola de Cristo” (2).
O biógrafo F. Casolini com toda razão destacou Clara como sendo a “mestra das jovens no palácio do grande Rei, as educava com firmeza de disciplina e as sustentava com a ternura do amor” (3).
Santa Clara com sua finíssima sutileza é uma guia espiritual da vida franciscana, o que é aparente em suas hagiografias, pois por quarenta anos foi a grande guia das Irmãs Pobres de São Damião, e ao longo destes anos instruía a cada dia suas irmãs com edificantes exemplos de uma vida virtuosa. Esta mulher não só influenciou suas coirmãs e seu tutor, São Francisco, mas, também contribuiu para como a vida do Cardeal Hugolino, que mais tarde veio a se tornar o Papa Gregório IX. O referido Cardeal posteriormente em uma carta a Clara a chama de “mãe da sua salvação”, e com toda clarividência afirma que ela o influenciou em sua vida espiritual.Passaram-se oito séculos desde quando aquela admirável síntese de valores humanos e espirituais complementares se realizou, graças a uma pedagogia iluminada por São Francisco soube usar com a sua dócil e inteligente discípula, respeitando-lhe as peculiaridades da natureza feminina, e ainda hoje admiramos em Clara de Assis o melhor e o mais sugestivo testemunho daquilo que Francisco soube ser como pai e mestre (4). T
Continua...
(1) ZAVALLONI, 1999, p.90.
(2) 1Celano 18.
(3) Cf. CASOLINI, F. Chiara d’Assisi, rilucente specchio. Assis, 1975, p.122. apud ZAVALLONI, 1999, p.92.
(2) 1Celano 18.
(3) Cf. CASOLINI, F. Chiara d’Assisi, rilucente specchio. Assis, 1975, p.122. apud ZAVALLONI, 1999, p.92.
(4) ZAVALLONI, 1999, p.93.