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domingo, 13 de junho de 2010

Homilia do 11º Domingo do Tempo Comum, por Pe. Paulo Ricardo




Homilia da Festa de Santo Antônio de Pádua, por
frei Carlos Guimarães, OFMConv.

Especial: "Santo Antônio de Pádua"


O Franciscano: Homem de Reconciliação
Estudando os Sermões de Santo Antônio

Sabemos que no mês de junho festejamos nosso insigne pregador Frei Antônio de Pádua, como homem, e como santo, mas também modelo de franciscano, pois soube ele através de seu instrumento mais eficaz levar a verdade onde havia heresias, e também dentro do próprio ambiente religioso. Há os que dizem que ele era um martelo dos hereges, mas há também muitos outros que o dizem martelo dos clérigos, isso é evidente em Santo Antônio, pois em quase todos os seus Sermões encontramos citações fortes contra o comportamento religioso, é este o tema que vamos trabalhar por essa vez.

Assim neste sermão Santo Antônio dá ênfase a reconciliação do irmão com o irmão, cita desde o início o texto base que é o de Mt 5, 23-24, ...se, portanto, estás para fazer sua oferta ... vai primeiro reconciliar-se com teu irmão... este texto para Santo Antônio não é algo vago que pode se passar pela nossa indiferença, mas é algo da natureza da própria Santíssima Trindade, ela é a própria vivência da reconciliação, em relação ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim devemos nós como a Trindade vivermos esta reconciliação, é claro que isso não é fácil há muitas coisas que nos cercam, pensamentos e mais pensamentos, eles existem e se discordam, ou em outros casos concordam, não podemos dizer que é absoluto o problema das "rixas", mas é um problema de interpretação, assim os pensamentos do coração, devem possuir a propriedades de serem como espinheiros, pungindo o coração ao recordar os pecados; para que não apodreçam e não consintam na má sugestão; para que quanto mais nos deixamos inflamar pelo fogo da tribulação, tanto mais firmes sejamos no propósito de agir bem com o irmão. A intenção deve ser sempre boa, jamais agir mal, podemos aqui dizer as palavras de São Francisco "irmãos enquanto temos tempo façamos o bem ...", o bem jamais vai levar-nos a um mal, não pode ser ele caminho para tal, mas se perseverarmos na busca do bem ele nos trará a reconciliação, isto já nos mostra a "devoção espiritual, que deve possuir o reto procedimento no cumprimento da perseverança quanto a si; na largura da caridade ao próximo, na altura da contemplação, e na dupla perfeição quanto a Deus, para que refiramos a ele o cumprimento da perseverança e a largura da caridade fraterna. Dele provém todo o bem que nós possuímos". Dele também deve prover a veste do coração devoto, pois sem esta não há devoção espiritual, como pode um corpo ser puro sendo despido? O coração vestido de devoção trás a pureza e esta é a áurea da castidade. Assim Santo Antônio chama "veste por marcar uma atitude própria do homem, tal como a pureza da castidade, marca uma atitude da mente, pois, através da inflexibilidade da castidade se reconhece a retidão da mente". É necessário, pois, mortificar a carne, ela é na maioria das vezes a fonte de onde brota as incompreenções, e os homens não possuem a capacidade de aceitar que, das afeições sensíveis brotam o caminho da alegria externa, e os afetos espirituais o caminho da alegria interna. Mas sendo esta incapacidade real, existente, devemos "queimar no altar do holocaust, que é a figura do nosso corpo, tudo o que provém destas afeições, usando o fogo da penitência e reconstruir tudo a partir dos membros não corrompidos pela luxúria".

Assim a cruz da verdadeira penitência tem o mesmo valor que a perseverança, e a paciência a mesma que da esperança. É necessário pois, como diz Santo Antônio: "Na cruz crucifiquemos o nosso corpo com as cinco chagas do corpo de Jesus Cristo, mortificando o miserável deleite dos cinco sentidos, gemendo e chorando as próprias iniquidades, os crimes do próximo e a dilação da glória", para que ostentado uma vez o corpo tenha ele morada para as virtudes cardeais, elas são alimento para a unidade das pessoas que estão afastadas, e sabemos que nenhum dos viventes vive sem alimento, não seriam os afastados que viveriam pela primeira vez. Os afastados devem compreender que a oferta tem quatro finalidades: a oferta da oração, ou seja, orar sempre por aquele que se ama e não se alcança a aceitação, a fé, esta baseia-se na esperança total que Deus vê todas as coisas e não permitirá entre seus filhos a indiferença, a penitência, saber oferecer sacrifícios, ser suporte para aquele que não se tolera, e enfim, a esmola, o serviço ao irmão é a ação concreta desta oferta, pois nosso irmão poderá ser o próprio Cristo. Assim "se lembrardes que um irmão, o teu próximo, tem alguma coisa contra ti, se o deixaste triste por alguma palavra ou ação, ou, então, se o que trazes no ânimo acerca dele seja mal, se está longe, vai, não com os pés, mas com o ânimo humilde prostra-te na presença dele e pedi-lhe perdão... da mesma forma não confies numa fé morta, mas vai antes reconciliar-te, por meio da verdadeira penitência...não confies na mortificação da carne se não limpaste antes toda a iniquidade de teu espírito...se te fazes surdo à voz da obediência, deixa aí tua oferta, isto é, não confies na tua esmola seca, mas antes vai com os passos do amor reconciliar-te, por meio da obediência...." , depois de compreendido esta via, a reconciliação é a chegada final, esta é a atitude dos filhos de Deus. 
Não dá para entender que entre pessoas que são dotadas de razão, exista tamanha falta de bom senso, exista tanta falta de coerência, no que se fala e no que se vive, o bom senso liberta o homem do orgulho, enquanto este precipita muitos na infelicidade da vida, dela vem acompanhada a indiferença, o desprezo, a falta de atenção, e maior delas a falsidade, os que agem assim, não podem ser credibilizado por ninguém, há de se dar somente a misericórdia, pois desta temos que fazer uso, diante destes que não possuem a capacidade de sair de si e ir ao encontro do outro, a reconciliação se dá não em utopias, mas sim na franqueza de um ato real, concreto, claro, firme e evidente, pois nenhuma reconciliação pode deixar marcas, se acaso acontecer, dela provirá outras incompreenções, e continuaremos vivendo na ignorância da fraqueza humana.
Desejo a todos a reconciliação verdadeira, para que quando vier o Espírito Santo, a comunidade dos homens possa ser autêntica nos seus propósitos de imitar a comunidade divina. T

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