A dinâmica de ser, o querer, que todo homem tem por nascença, podemos chamá-la de vontade. É um dinamismo que deve ser cultivado, pois se for deixado solto, cresce de qualquer jeito. No centro dessa vontade, há o "eu": eu quero para mim. Sempre temos muita vontade, querendo para si, do jeito que se gosta, do jeito que agrada. Essa vontade, esse eu é muito importante porque somos nós mesmos. Ele não pode, porém, ser deixado solto, espontâneo, não pode ser deixado como é. É uma energia da qual nós somos responsáveis, que deve ser cultivada, melhorada, purificada. A vontade é uma grande coisa, mas deixada a si mesma, desanda. Nós humanos recebemos a grande tarefa de pegar essa energia e cultivá-la. Muitos a chamam também de amor.
Quando alguém se torna cristão, decide cultivar essa energia de um jeito próprio. Neste cultivo, a primeira coisa necessária é a disciplina. Disciplina significa a urgência de não deixar essa energia solta de qualquer jeito; significa a necessidade de colocar nela uma dinâmica de aprendizagem. A pessoa então precisa lutar, trabalhar consigo mesma, muitas vezes contra si mesma, não porque a vontade própria é ruim, mas porque se deixada solta, não fica boa. Ela se desfaz, desanda e cria infelicidade para si e para os outros, e não alcança aquilo que a pessoa está buscando, pois ao ficar cristão a pessoa diz a si mesma: quero viver a vida buscando a verdade que Cristo trouxe. TContinua...