Devotio, de-votum é um conceito que só ocorre três vezes nos escritos de São Francisco, mas representa um papel importantíssimo na literatura franciscana até hoje.
Devotio, com suas várias mudanças de significado, poderia bem caracterizar a história da piedade religiosa na Igreja. Sofreu uma decisiva modificação de sentido sobretudo no século XIII, quando também a piedade buscou caminhos mais ajustados ao despertar da autoconsciência e da vontade de realização individual dos cristãos, isto é, do subjetivismo.Devotio significa a entrega que o homem faz de si mesmo a Deus ou consagração a Ele de determinadas coisas. Mas já na antiguidade passou a significar a prática obediente dos preceitos de Deus. O cristianismo ocidental apoderou-se deste termo bem cedo. Eram conhecidos os homines devoti, pessoas consagradas exclusivamente ao serviço de Deus. O termo começou a ser empregado, de preferência, na liturgia, mormente nas orações sobre as oferendas, indicando a atitude interior do homem durante a celebração.
Nesse sentido, o termo trata da reta relação do homem para com Deus, suscitada e perpetuada pela devotio, sobretudo no culto divino.Devotio é, pois, uma atitude: o homem põe-se inteiramente à disposição de Deus, entregando-se e se sujeitando à sua vontade. O termo devotio como é usado por São Francisco, não abrange ainda, antes está completamente isento de todos aqueles valores que possuem um destacado acento sentimental e subjetivo.
É a partir deste termo que entenderemos melhor o que significa "afugentar o ócio", entendido como o "ócio do Criador", que descansou ao final da sua obra, no sétimo dia (cf.: Gn 2,2).T