É comum opormos o saber à fé. O Saber é conhecimento pela evidência racional. A fé é conhecimento através da autoridade. Na fé se esconde o momento de confiança, esperança e amor, dizemos. Essa maneira usual de considerar a fé é cega para a diferença essencial existente entre o saber e a fé. Pois a fé está numa outra dimensão, mas originária do que o saber. Na falta de Palavra adequada dizemos: na dimensão da vivência, do irracional. Com isso ocultamos a profundidade específica da fé, que somente percebemos na estrutura do encontro.
A fé é o centro, o âmago do encontro-enamoramento! No fenômeno encontro, o momento crucial é o da gratuidade, o momento da doação total. O primeiro "choque" do encontro é sempre uma contestação que abala o nosso mundo. Se o choque se processa como ameaça, destruição ou como entusiasmo, no fundo não muda a estrutura do "choque". Pois o despertar para o outro é sempre um salto da dimensão já existente para uma nova dimensão até então desconhecida, inexistente. E no momento infinitesimal dessa passagem, temos a experiência do nada: abandonar-se para se abrir ao outro desconhecido. Certamente é possível aqui explicar o fenômeno pelo mecanismo da motivação: nos abandonamos e nos abrimos ao outro porque o outro é bom, belo, fascinante. Sem minimizar esse aspecto, sem querer eliminá-lo, estruturalmente devemos ver nitidamente que, no despertar da relação eu-tu do encontro, existe um momento onde o porque desaparece, onde é exigido um salto na total gratuidade. Por isso mesmo o encontro é total doação. T
