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sábado, 21 de novembro de 2009

Minoridade é forma de vida!

Aproximando-nos da última semana do Tempo Comum, com a Solenidade de Cristo-Rei do Universo, o Reflexões Franciscanas inicia uma série de postagens acerca [e à margem] da Minoridade - muito cara a São Francisco e a nós franciscanos. Propositalmente nesta festa que, para muitos cristãos, é a festa de um "Rei" como outro qualquer, mas justamente utilizando-nos da antonimidade que JC exercia em sua vida terrena, como franciscanos, abordaremos o real pano de fundo do seu ministério, nas palavras de São Francisco: ser menor! T

O que se entende em São Francisco por "menor"? O que é a "minoridade"? Minoridade não é propriamente viver pobre, despojado, desinstalado, humilde, sem nada. Tudo isso pode ser uma irradiação da minoridade. Mas não o é, necessariamente.

A Minoridade é antes de tudo e fundamentalmente, FORMA DE VIDA.
Hoje, quando falamos de forma de vida, pensamos mais no estilo de vida, a maneira como estruturamos exteriormente as nossas ações e nosso viver cotidiano: a Regra. Aqui na nossa reflexão a forma deve ser entendida mais no sentido medieval: essência, a estrutura dinâmica interna e profunda, o fundamento, o vigor, o suco, o colorido básico, a atitude fundamental de nossa vida, a identidade. Num termo contemporâneo, mas não muito preciso, ocular ou óptica.
A forma é ocular, a óptica de nossa vida. O ocular, a óptica é aquele ponto central a partir do qual você enfoca tudo, a partir do qual, em cuja perspectiva, à cuja luz você vê, compreende, interpreta e sente todas as coisas: Deus, mundo, homem...
Para ilustrar mais concreta e dinamicamente o que se deve entender por óptica da vida, um exemplo com uma conhecida história:

"Era um vez um sábio japonês, ilustre em letras e profundo conhecedor das ciências, admirado por todo o mundo. Este sábio ouvira falar de um grande mestre do Zen-budismo. Decide-se a tornar-se seu discípulo e receber dele o ensinamento. Bate às portas do convento onde vivia o mestre. Apresenta-se e pede audiência. O porteiro vai consultar o mestre. O mestre, no entanto, não aparece. Mas o porteiro volta com uma vassoura e lhe comunica: 'Saudações do mestre. Ele manda lhe dizer que está aceito. A sua função é de varrer o nosso jardim'. E lhe entrega a vassoura. Um tanto contrariado o sábio obedece. Varre dia por dia o jardim. Uma semana, duas semanas, um mês, dois meses, meio ano, um ano. Varre, varre e nada mais. Aos poucos entra em crise. Pede sempre de novo audiência com o mestre. Mas lhe é negada sempre de novo. Dúvidas o assaltam, luta com o desânimo, raiva e descepção. Recomeça de novo, todos os dias. Luta consigo mesmo sempre de novo. E um dia não mais agüenta a situação. Decide abandonar o convento. Joga para longe a vassoura... E, de repente, lhe estala como que um relâmpago, uma compreensão: a vassoura! A vassoura era a grande lição do mestre. No retraimento do mestre, surge a vassoura como envio do Mistério. O mestre que, retraído o observava, ao perceber o brilho da iluminação no seu discípulo, o chama então para introduzí-lo nos primeiros passos do Mistério do Zen, do Caminho." T
Continua...


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