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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Só podemos realmente ser livres na graça da espontânea boa vontade!

Um Deus supostamente assim in-finito, porém, é apenas uma espécie de Super-homem, imponente, grandioso e solene a modo de Ente Supremo gigantesco, sisudo e importante, sem graça nem leveza de uma liberdade gostosa e divina.
O Deus da liberdade, o Deus da Boa Vontade nada tem a ver com o gigantismo desse Super-homem. O que importa é dar-se, largar-se livremente à graça de se dar, à generosidade humilde da doação. Mas não nos importemos na generosidade como se ela fosse uma qualidade superior da nossa grandeza.

Generosidade não é outra coisa do que  A GRAÇA DE SE DAR, simplesmente, cordialmente, sem se importar com a simplicidade nem com a cordialidade. A graça de se dar simplesmente é a humildade, o vigor, o ânimo, a boa vontade do húmus da terra (humildade: húmus + dade) que se dá sempre de novo, toda inteira, cada vez a todos, oculta, esquecida, pisada, sem nada saber da sua generosidade, sem se importar com nada a não ser simplesmente a graça da doação. Se é assim, que nos importa a nossa autenticidade? Que nos importa se nada conseguimos, se somos esforçados, se tudo fazemos para alcançar a humildade? Que nos importa se todos os dias devemos recomeçar a luta, se em nada avançamos, se sempre estamos a marcar passos? Se devemos trabalhar mais do que os outros? Se temos o mérito de termos sacrificado tudo? O que importa tudo isso e muito mais, se a cada momento, a cada instante, em tudo que fazemos, buscamos e queremos a única coisa que importa é dar-se simplesmente, sempre de novo, sem cessar de graça à boa vontade?
A única coisa que importa é, a cada momento, a cada instante, em tudo que faz, busca e quer, é dar-se simplesmente, sempre de novo, sem cessar, de graça à boa vontade. Mas, somente podemos realmente ser livres na graça da espontânea boa vontade, se antes tivermos nos engajado de corpo e alma com o exercício árduo, constante e decidido do nosso querer, na labuta cotidiana de uma busca sincera e radical. Pois fluir na graça da boa vontade e dar-se simplesmente na cordialidade de ser só podemos se nos deixarmos trabalhar no nosso querer para além da sua exaustão; até o cansaço.
Não é assim que diz o Evangelho: "Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica só; mas, se morrer, produz muito fruto"? (Jo 12,24). T
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