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sábado, 7 de novembro de 2009

Fazer tudo quanto é necessário e útil...

Como dissemos, o eu quero é sempre um eu quero ser. Mas, em concreto, o eu quero se se apresenta no objeto que é coisificação projetada do ser que buscamos ser. O objeto, porém, assim entendido, jamais aparece como uma coisa em si e por si, indiferente e neutro diante de mim. Ela é sempre prenhe de valor, me atrai,me afeiçoa, é algo bem concreto que busco ter. Por sua vez, o que quer ter se apresenta numa imagem carregada de atração, numa imagem simpática do eu realizado, do eu que já tem o objeto da sua cobiça, o eu plenamente satisfeito por ter alcançado o que busca. Uma tal imagem do eu realizado se projeta, por sua vez, na imagem ideal de um herói, que me serve de exemplo e guia, o qual quero imitar, para eu também ser assim como ele.

Em alguns casos, o que 'quero ser' aparece como um objeto chamado virtude. Virtude é força, vigor de ser que me dá sabedoria e poder, uma qualidade superior, nobre e profunda, sim, divina. E o santo amigo de Deus - Francisco de Assis - tinha excessiva e profunda humildade, que era a imagem simpática do próprio eu de quem busca um objeto tão desejado e almejado.
A afeição que tenho dessa imagem, a atração que dela vem e me atinge, já é a mobilização do eu quero. Mas, essa mobilização do eu quero não é apenas uma veleidade, uma vivência do desejo, não é apenas um "gostaria que", mas antes uma auto-determinação.
A auto-determinação tem algo do salto mortal. É um lançar-se para valer, um pôr-me em jogo numa decisão que aceita de antemão, para sempre, num único sim, aqui e agora, toda a extensão da caminhada que me leve a alcançar o que busco. É um propósito. É um devotamento, um voto que decide fazer tudo quanto é necessário e útil para atingir o fim. É pois uma determinação de me doar todo o inteiro, indiviso e sem indecisão à ação do trabalho que me faz ser o que busco. T
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