Nos termos espontâneo e espontaneidade está a palavra latina "spons, spontis", que significa livre vontade. Como, porém, a compreensão do termo livre ou liberdade também está influenciada pelo modelo biológico-vegetativo, usemos ao invés de livre vontade, a expressão "boa vontade".
A espontaneidade como boa "vontade" tem pouco a ver com a espontaneidade natural biológico-vegetativa. Antes, se refere ao modo de ser próprio do homem, para além do nível do ser orgânico biológico-vegetativo, ao modo de ser chamado empenho e desempenho do querer. Hoje, talvez denominaríamos esse modo de ser próprio do homem de autonomia, responsabilidade de ser, engajamento.
O adjetivo "boa", por sua vez, se presta a equívocos, pois, estamos acostumados a entender a bondade da boa vontade como bonachão. Assim, boa vontade é uma espécie de vontade menos forte que fica no desejo, na disposição interior, e que propriamente não é vigor, não é dinâmica da ação. Por isso dizemos: a boa vontade não basta, é necessário fazer.
Este mesmo adjetivo, no seu sentido original quer dizer "perfeito". Perfeito é o que se fez "per", isto é, através de longo processo de árduo trabalho de conquista e está no ponto, no auge da sua identidade. Para que alguém chegue a ser bom nesse sentido, pressupõe-se que percorra toda uma dura caminhada de trabalho, onde se devem enfrentar lutas, obstáculos, dificuldades, onde o eu é purificado de uma porção de ensimesmamentos, onde se exige uma contínua desinstalação do saber que sempre de novo se fixa em pontos de vista.
"Boa Vontade" é, portanto, uma vontade que, depois de longo e sério trabalho, depois de contínua luta, chegou à disposição livre para a ação ou, melhor, é a própria dinâmica da ação. Na vida as coisas são importantes na medida em que se referem à boa vontade. O que importa na vida é a boa vontade! T