Se concentrarmos nossa atenção na tentativa de solucionar um problema de geometria e, no fim de uma hora não estivermos mais perto de consegui-lo do que no começo, assim mesmo estávamos fazendo progresso em cada minuto daquela hora noutra dimensão mais misteriosa. Sem sabermos ou senti-lo, esse esforço aparentemente estéril, trouxe mais luz à alma. O resultado será descoberto um dia na oração. Além disso, ele pode, muito provalvemente, ser sentido em algum departamento da inteligência, de forma nenhuma relacionando com a matemática. Talvez aquele que fizesse o esforço sem sucesso, um dia seria capaz de captar, por causa dele, mais vivamente a beleza de um verso de Camões. Mas é certo que esse esforço produzirá seu fruto na oração. Não há qualquer dúvida sobre isso.Certezas desta espécie são experimentais. Mas, se não acreditamos nelas antes de experimentá-las, se, ao menos, nos comportamos como se acreditássemos nelas, nunca teremos a experiência que leva a tais certezas. Aqui há uma contradição. Acima de determinado nível, esse é o caso de todo conhecimento útil ao progresso espiritual. Se não regularmos a nossa conduta por ela antes de tê-la provado, se não persistirmos nela durante longo tempo unicamente pela fé, uma fé tempestuosa e sem luz no início, nunca a transformaremos em certeza. Fé é a condição indispensável. T
Continua...