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domingo, 28 de junho de 2015

Homilia da Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos, por Pe. Paulo Ricardo



A Igreja é a mesma ontem, hoje e sempre

Celebrar a Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo significa lembrar, sobretudo, que a Igreja é apostólica. Para nós católicos, é uma realidade fácil de aceitar que a Igreja de hoje seja a mesma de dois mil anos atrás, exatamente a mesma fundada por Deus. Para os protestantes, porém, as igrejas, com "i" minúsculo, não passam de instituições frágeis fundadas pelos homens. Cristo mesmo não teria fundado nenhuma instituição visível, deixando aos Seus seguidores esse encargo. É por isso que, para os evangélicos, não é escândalo nenhum que alguém, ao discordar do pastor de sua igreja, decida fundar outra igreja. Igrejas, em sua concepção, são realmente como um "negócio", um empreendimento que se começa e se acaba quando se bem entende.

Nós, ao contrário, cremos que a Igreja é um mistério instituído pelo próprio Senhor. Ela cresceu ao longo dos séculos como uma planta, com todas as suas dificuldades, mas tendo sempre a mesma vida divina dentro de si, graças à ação de seu Divino Fundador. Por isso, é possível dizer que a Igreja é a continuidade do corpo de Cristo na história.

Para entender como essa instituição – que aparentemente mudou tanto ao longo dos séculos – pode permanecer sendo a mesma Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo (cf. Mt 16, 18), tomem-se como exemplo as nossas mães. Na sua juventude, as mulheres possuem uma aparência muito bonita, um corpo jovial e uma pele lisa e macia. Com o tempo, porém, a sua beleza física se esvai, o seu corpo vai decaindo e a sua pele começa a encher-se de rugas e estrias. Ainda que o seu aspecto exterior mude, porém, as mães permanecem as mesmas, conservam a sua identidade e os filhos continuam a amá-las ternamente. Quem quer que consiga perceber que, mesmo mudando as aparências, as pessoas não deixam de ser o que são, é capaz de compreender o conceito de substância. De fato, esse termo se refere a algo que não pode ser captado pelos sentidos, mas tão somente pela inteligência. O que a visão e os outros sentidos conseguem alcançar são apenas os acidentes das coisas. A sua substância, porém, o que lhes dá identidade, é algo invisível.

Assim acontece também com a Igreja. Hoje, quem vai ao Vaticano pode entrar em templos majestosos, como a Basílica de São Pedro, e o Papa Francisco, mesmo em sua humildade e despojamento, não ousa dispensar os seguranças de perto de si (afinal, ele, sendo o chefe visível da Igreja de Cristo, é muito visado pelos inimigos da fé). Nos primeiros anos da Igreja, porém, quem era São Pedro, senão um pescador pobre e analfabeto de Cafarnaum?

Diante dessas grandes diferenças de aparência na Igreja, os críticos dizem que não se trata da mesma instituição e que a verdadeira comunidade fundada por Cristo se perverteu no decorrer dos séculos. O erro desses detratores está em que se detêm apenas nos acidentes e realidades sensíveis da Igreja, ignorando que a sua substância, identidade e essência continuam as mesmas.

Foi a partir do filósofo alemão Friedrich Hegel († 1831) que os homens começaram a perder a noção de continuidade. Para esse pensador, a história seria uma "metamorfose ambulante", com teses, antíteses e sínteses constantes e subsequentes, sem que a realidade tivesse uma substância e uma identidade. Influenciadas por esse pensamento, as pessoas começaram a viver sem raiz e sem tradição, sempre tentando "reinventar a roda" e criar novamente o que, no fundo, elas só precisavam aceitar da "democracia dos mortos" [1] e passar adiante.

A influência dessa filosofia na Igreja tem efeitos ainda piores do que nos assuntos puramente humanos. Quando se tenta subverter, além das verdades naturais, as próprias verdades reveladas por Deus, muito maiores são o caos e a confusão que se instalam. Quem entende, todavia, que a mudança dos acidentes não altera a substância das coisas, procura preservar a Igreja, os seus ensinamentos e tudo o mais que constitui a sua essência – e, quando intenta fazer alguma reforma, não é para destruí-la, senão para preservar-lhe a vida.

É inconcebível, portanto, que se queira reformar a Igreja quebrando a sua continuidade substancial. No tempo dos Apóstolos, é verdade, não havia Concílios Ecumênicos, Catecismos ou Congregação para a Doutrina da Fé. Em essência, porém, a fé dos primeiros cristãos deve ser a mesma que todos os católicos professam, em todos os lugares da terra e em todos os tempos (quod semper, quod ubique, quod ab omnibus). No decorrer da história, a Igreja pode ir tomando maior consciência de sua identidade e de sua doutrina, mas nada disso muda o que ela foi, é e sempre será.

Em sua Primeira Carta aos Coríntios, o Apóstolo dos gentios, ao transmitir as doutrinas da Eucaristia e daRessurreição de Cristo, diz duas vezes: "Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti" (11, 23); "De fato, eu vos transmiti, antes de tudo, o que eu mesmo tinha recebido" (15, 3). Apenas alguns anos após a ascensão de Cristo, já se dá a realidade da "tradição" (do latim tradere, que significa "entregar"): os discípulos de Cristo transmitem os Sacramentos e a Palavra, preocupando-se com serem fiéis ao que eles mesmos receberam. De fato, as expressões de São Paulo não são em vão: todos nós, como apóstolos de Cristo, devemos ser fiéis à mensagem que recebemos de nossos pais na fé. Afinal, sabemos – e cremos – que a palavra desses homens remonta ao próprio Senhor e, por isso, devem ser recebidas "não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus" (1 Ts 2, 13).

Ao celebrar São Pedro e São Paulo, essas duas colunas da Igreja, exultemos de alegria por pertencermos à "Igreja una, santa, católica e apostólica"; por pertencermos à única Igreja de Cristo, que, assim como seu Esposo, é a mesma ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13, 8). Estejamos sempre dispostos a dar a nossa vida por essa mãe tão amorosa, a qual nos alimenta com a Palavra de Deus e com o próprio Senhor presente na Eucaristia. T

Referências:

CHESTERTON, Gilbert K. Ortodoxia (trad. Almiro Pisetta). São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 80: "A tradição pode ser definida como uma extensão dos direitos civis. Tradição significa dar votos à mais obscura de todas as classes, os nossos antepassados. É a democracia dos mortos. A tradição se recusa a submeter-se à pequena e arrogante oligarquia dos que simplesmente por acaso estão andando por aí."


domingo, 21 de junho de 2015

Homilia do 12º Domingo do Tempo Comum, por Pe. Paulo Ricardo



Os três inimigos da alma

No Evangelho deste Domingo, a barca dos discípulos é agitada pelo vento forte e pelo mar bravio, mas, sobretudo, por sua falta de fé. Descubra, neste Testemunho de Fé, quais são os três inimigos da Igreja e das almas, e como fazer para acalmar as tempestades desta vida e alcançar o porto da salvação.
"E nós marcados com o sinal da cruz do Senhor no dispusemos a deixar o mundo, entramos na barca com Jesus, e nos esforçamos para atravessar o mar; mas enquanto navegamos em meio ao rugido do mar, Jesus dorme, quando em meio aos esforços das virtudes, a chama do amor arrefece seja pelo ataque dos espíritos maus, seja dos homens depravados, seja de nossos próprios pensamentos. Mas se, no meio destas tempestades, nós nos apressarmos a acordá-lo; ele logo acalmará a tempestade, restaurará a tranquilidade e nos concederá o porto da salvação."
(São Beda, o Venerável, apud Santo Tomás de Aquino, Catena Aurea in Marcum, IV, 5.)

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Carta Encíclica Laudato Si', do Papa Francisco


CARTA ENCÍCLICA
LAUDATO SI’
DO SANTO PADRE
FRANCISCO
SOBRE O CUIDADO DA CASA COMUM


 
1. «LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor», cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e ervas».[1]

domingo, 14 de junho de 2015

Homilia do 11º Domingo do Tempo Comum, por Pe. Paulo Ricardo



Como o humilde grão de mostarda

No Evangelho deste Domingo, Nosso Senhor compara o Reino dos céus a um "grão de mostarda". A menor das sementes que se converte na maior das hortaliças. Mas, qual é a lição dessa parábola? Como fazer com que Deus, em Sua glória e majestade, reine no coração dos homens, tão pequenos e miseráveis? Neste Testemunho de Fé, Padre Paulo Ricardo percorre a vida dos santos místicos da Igreja e fala sobre a virtude da humildade, o único caminho para quem quer imitar a Cristo. T


domingo, 7 de junho de 2015

Homilia do 10º Domingo do Tempo Comum, por Pe. Paulo Ricardo



Como endurecer o próprio coração

No Evangelho deste Domingo, Jesus faz um alerta sobre o pecado contra o Espírito Santo, para o qual não haverá perdão. Mas, existem pecados realmente imperdoáveis? Em que consiste a "dureza do coração", tão denunciada pelas Escrituras? Como as pessoas podem chegar a esse nível de obstinação? Conheça, neste Testemunho de Fé, o caminho que conduz à impenitência final, e como fugir dele. T



quinta-feira, 4 de junho de 2015

Corpus Christi




"Eis que todos os dias, Ele se humilha, assim como quando desceu do trono real para o útero da Virgem; cada dia, vem a nós, sob a aparência humilde; cada dia desce do seio do Pai sobre o altar, nas mãos do sacerdote. E assim nós, vendo o pão e o vinho com os olhos corporais, vejamos e creiamos firmemente ser d'Ele o santíssimo corpo e sangue vivo e verdadeiro." (Admoestações de São Francisco de Assis 1,16-18.21)

Imagem: Frei Josué Pereira, OFMConv.

Vinde, adoremos! 

Graças e louvores se deem a todo momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento! 




domingo, 31 de maio de 2015

Homilia da Solenidade da Santíssima Trindade, por Pe. Paulo Ricardo



A Trindade no palácio de nossas almas

Para falar com Deus, não é preciso rezar gritando ou sair voando ao Céu. Toda alma em estado de graça traz dentro de si a presença misteriosa da Santíssima Trindade. Neste Testemunho de Fé, Padre Paulo Ricardo expõe essa verdade fundamental, ensinada pelo próprio Jesus, e explica como podemos, ao longo de todo o dia, adorar e amar a Deus, escondido no íntimo de nosso coração. T


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Papa aos capitulares OFM: Minoridade e Fraternidade


Mais de 200 frades menores estiveram na manhã desta terça-feira (26/05) no Vaticano, onde foram recebidos pelo Pontífice. Membros da Ordem de todo o mundo estão reunidos no Capítulo Geral, que acaba de reeleger o norte-americano Frei Michael Perry como Ministro geral.

Recebendo o grupo, Francisco fez um discurso em que abordou os dois elementos essenciais da identidade franciscana: a minoridade e a fraternidade.

Minoridade nos aproxima da salvação

A minoridade chama a ser e sentir-se pequenos diante de Deus, entregando-se totalmente à sua infinita misericórdia. “Quem não se reconhece como ‘menor’, como pecador, não compreende a misericórdia. Quanto mais cientes somos de ser pecadores, mais estaremos próximos da salvação”, disse o Papa.

“Minoridade significa também sair de nós mesmos, de nossos esquemas e visões pessoais; significa ir além das estruturas, dos hábitos e de nossas seguranças e testemunha a proximidade concreta aos pobres, carentes e marginalizados, em atitude de compartilha e serviço”, lembrou.


A importância do testemunho da fraternidade

Prosseguindo, o Papa considerou a dimensão da fraternidade, frisando que ela também pertence ao testemunho evangélico. “A Família franciscana é chamada a expressar esta fraternidade concreta, recuperando a confiança recíproca nos relacionamentos interpessoais, para que o mundo veja e creia”, apontou ainda.

“Nesta perspectiva”, indicou o Papa ao grupo, “é importante resgatar a consciência de que são portadores de misericórdia, reconciliação e paz. Se realizarem esta vocação – que corresponde ao seu carisma – serão uma congregação ‘em saída’”.

As origens da Ordem

Para frisar o conceito, o Papa leu o Capítulo III da Regra Bulada de São Francisco: “Aconselho, admoesto e exorto meus frades no Senhor Jesus Cristo que, quando vão pelo mundo, não litiguem nem contendam com palavras, nem julguem os outros; mas sejam amáveis, pacíficos e modestos, mansos e humildes, falando a todos honestamente… E em qualquer casa em que entrem, digam primeiro: Paz a esta casa”.

Para Francisco, estas exortações são muito atuais; são profecia de fraternidade e minoridade: “Como é importante viver uma existência cristã e religiosa sem se perder em disputas e fuxicos, cultivando um diálogo sereno com todos em mansidão e humildade, anunciando a paz e vivendo sobriamente, contentes do que nos é oferecido!”.

O risco do apego aos bens

Completando, o Papa alertou: “Se, ao contrário, se apegarem aos bens e riquezas do mundo, depositando nelas a sua segurança, será o próprio Senhor a desnudá-los”.

Para terminar, Francisco lembrou que o Espírito Santo é o animador de nossas relações e de nossa missão na Igreja e no mundo. Quando os consagrados se deixam iluminar e guiar pelo Espírito, é mais fácil enfrentar desafios como o envelhecimento e a escassez de vocações. Ao se despedir, o Papa encorajou os frades e confiou toda a Ordem à materna proteção da Virgem Maria. T

Fonte: news.va








domingo, 17 de maio de 2015

Homilia da Solenidade da Ascensão do Senhor, por Pe. Paulo Ricardo



Convinha que Cristo partisse aos céus?

Antes de fazer uma aplicação espiritual do mistério da Ascensão do Senhor, é preciso entender o que crê a Igreja, quando confessa, no Credo, que Cristo "subiu aos céus" e "está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso".

Importa dizer, em primeiro lugar, que a Ascensão de Cristo é um artigo de fé católica, vinculante para todos os fiéis. Trata-se de algo que realmente aconteceu. Não é, pois, uma mera "construção literária" de São Lucas, como dizem alguns exegetas contemporâneos, observando que este foi o único autor a narrar a subida de Jesus aos céus (cf. Lc 24, 50-53; At 1, 9-11). Na verdade, são inúmeras as referências à Ascensão em outros livros das Escrituras (cf. Mc 16, 19; Jo 20, 17; Ef 4, 8-10; Hb 7, 26; 8, 1s; 10, 12), passagens que deixam clara a historicidade desse fato. O próprio Catecismo da Igreja Católica sublinha o caráter ao mesmo "histórico e transcendente" da Ascensão, não deixando dúvidas sobre a sua veracidade [1].

É claro que, por ser um evento absolutamente fora da ordem natural das coisas, a Ascensão provoca perplexidade entre os teólogos e cientistas modernos. Inflados por um preconceito racionalista, eles não aceitam que Deus possa se manifestar de modo sobrenatural na história. No fundo, o seu problema não é com a Ascensão, mas com toda a história da salvação, com os seus milagres e relatos extraordinários. Todos os santos, por exemplo, tiveram verdadeiras experiências místicas com Deus. Essas experiências, embora sejam narradas por meio de figuras e símbolos, realmente aconteceram, são históricas; mas são, sobretudo, realidades transcendentes, já que seu significado está para além desse mundo físico.

A morte de Cristo na Cruz é um outro exemplo. Historicamente, Ele "padeceu sob Pôncio Pilatos" e "foi crucificado, morto e sepultado". O sentido dessa morte, porém, é muito maior que aquilo que podem ver os olhos da carne: na Cruz, de fato, acontece o sacrifício de amor que redime toda a humanidade. Isso, contudo, só o pode enxergar o olhar da fé.

Por isso, em segundo lugar, é preciso considerar o significado espiritual da Ascensão do Senhor. Para tanto, guiará esta meditação o gênio de Santo Tomás de Aquino [2].

Respondendo se convinha que Cristo partisse aos céus e deixasse os homens na terra, ele, primeiro, esclarece que:
"Embora os fiéis, pela ascensão, tenham sido privados da presença corporal de Cristo, sua presença divina é constante entre os fiéis, conforme ele mesmo diz: 'Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos tempos' (Mt 28, 20). E como diz o Papa Leão, 'aquele que subiu aos céus não abandona os que adotou'."
Essa "presença divina", "constante entre os fiéis", se dá, sobretudo, em Sua presença substancial no sacramento da Eucaristia, em todos os sacrários da terra. Nas espécies do pão e do vinho, de fato, estão verdadeiramente o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor – sem os Seus acidentes, porém, que só se acham no Céu.

Depois, o Aquinate relaciona o mistério que hoje celebramos ao crescimento nas três virtudes teologais. Ele diz que "a ascensão de Cristo ao céu, que nos tirou sua presença corporal, foi de maior utilidade para nós do que teria sido a presença corporal". E explica o porquê:
Primeiro, para aumento da fé, que é sobre o que não se vê. Por isso, o próprio Senhor diz que o Espírito Santo, ao vir, 'arguirá o mundo a respeito da justiça' (Jo 16, 8), ou seja, da justiça 'dos que creem', como diz Agostinho: 'A própria comparação dos fiéis com os infiéis é uma censura'. Por isso, acrescenta: 'Porque eu vou para o Pai e não me vereis mais (Jo 16, 10), pois são bem-aventurados os que não veem e creem. Será nossa a justiça, de que o mundo será arguido, porque credes em mim, a quem não vedes'.
Segundo, para reerguer a esperança. Por isso, ele próprio diz: 'Quando tiver ido, prepararei um lugar para vós, voltarei e vos tomarei comigo, de tal sorte que lá onde eu estiver também vós estejais' (Jo 14, 3). Na verdade, pelo fato de Cristo ter elevado ao céu sua natureza humana assumida, deu-nos a esperança de lá chegarmos, pois 'onde quer que esteja o corpo, ali se reunirão as águias' (Mt 24, 28). Por isso, diz também Mq 2, 13: 'Já subiu, diante deles, aquele que abre o caminho'.
Subindo aos céus, diz o autor da Carta aos Hebreus, "Cristo não entrou num santuário feito por mão humana (...), mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor" (Hb 9, 24). De fato, comenta o Catecismo, "no céu, Cristo exerce em caráter permanente seu sacerdócio" [3]. Isso é fonte de grande esperança para a humanidade, que confia que Jesus lhe enviará todas as graças necessárias para a sua salvação eterna.
Terceiro, para elevar às coisas celestes o afeto do amor. Por isso, diz o Apóstolo: 'Procurai o que está no alto, lá onde se encontra Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas de cima, não às da terra' (Cl 3, 1-2), pois, como foi dito, 'onde estiver o teu tesouro, ali também estará o teu coração' (Mt 6, 21). E porque o Espírito Santo é o Amor que nos arrebata para as coisas do céu, diz o Senhor aos discípulos: 'É de vosso interesse que eu parta; com efeito, se eu não partir, o Paráclito não virá a vós; se, pelo contrário, eu partir, eu vo-lo enviarei' (Jo 16, 7). Comentando essa passagem, diz Agostinho: 'Não podeis receber o Espírito enquanto persistirdes em conhecer o Cristo segundo a carne. Pois quando Cristo se afastou corporalmente, não somente o Espírito Santo, mas o Pai e o Filho estavam espiritualmente em presença deles."
Foi preciso, pois, que Cristo partisse, para que os homens entrassem em maior comunhão com a Santíssima Trindade. Na Ascensão, o mistério da Encarnação completa o seu ciclo, por assim dizer: o Deus que desceu para assumir a natureza humana, agora a eleva aos céus, a fim de que também a Igreja eleve o seu coração ao alto – como se responde em toda liturgia eucarística – e, um dia, entre na plena posse de seu Esposo, no Céu. T

Referências:

Catecismo da Igreja Católica, n. 660.
Todas as citações do Aquinate foram tiradas da Suma Teológica, III, q. 57, a. 1, ad 3.
Catecismo da Igreja Católica, n. 662.


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