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terça-feira, 28 de julho de 2015

São Francisco e a Amizade



Francisco de Assis, amigo de Clara de Assis, amigo de Ângelo, de Rufino, de Leão, seu amigo pessoal, confidente, confessor e "secretário". Francisco amigo de todos da Fraternidade, Francisco amigo e Irmão de todos os seres da natureza. Uma amizade de presença, carinho, reconhecimento, retribuição, elogios, uma amizade realmente fraterna. Ao seu redor todos se sentem amados.

No caminho de Francisco, a amizade é uma seta indicativa de lugar relacional, porque traz a raiz sólida de uma força de convivência. Todo o bom relacionamento tem interferência na vida e na prática. Como atuar no comum sem a força de um amor fraterno pessoal? Olhemos para Francisco como ele se aproximava de tudo e de todos: como amigo e irmão, com amor cálido, cordial e intimidade fraterna. Temos que aprender com ele!

"Francisco e seus companheiros", de Piero Casentini
Nossas aproximações, às vezes, são de interesse, de afirmar nosso lado de saber, ter e poder. Isto atinge nossa formação, nossa eclesialidade e vivência comum. Nem sempre foi priorizado o âmbito do coração, do sentimento, da afetividade e da emotividade. Muitas vezes, quando temos aproximações marcantes com alguém, somos rotulados de carentes, além de aparecerem expressões de inveja, ciúme, repressões, tensões e rupturas.

Há amigos, se é que assim podemos chamá-los, que se aproximam enquanto levam vantagem. Depois entram num ostracismo sem tamanho quando você deixou de ser útil para eles. Porém, há aqueles que despojadamente são fiéis escudeiros de uma vida. T

domingo, 26 de julho de 2015

Homilia do 17º Domingo do Tempo Comum, por Pe. Paulo Ricardo



O toque da humanidade de Cristo na Comunhão

O milagre da multiplicação dos pães fez uma grande impressão nos primeiros cristãos porque está nos quatro Evangelhos, e o Evangelho de São Mateus e São Marcos chegam a falar duas vezes desse episódio.

Por que essa impressão? Não tanto pelo milagre em si mesmo, mas pela mensagem eucarística por trás desse portento. Assim como fez na noite da Última Ceia, Jesus, antes de multiplicar os pães, "tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados" (v. 11).

O Evangelho começa dizendo que "Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia" (v. 1). Os Santos Padres veem nessa passagem – evidenciada pela informação de que "estava próxima a Páscoa" (v. 3), que quer dizer "passagem" (cf. Ex 12, 11) – um sinal do desapego do mundo que todo cristão deve fazer [1]. Antigamente, os pregadores cristãos deixavam bem clara a maldade da mentalidade mundana e a necessidade de converter-se, de não se conformar com as coisas deste século (cf. Rm12, 2). Infelizmente, hoje em dia, alguns charlatães, dentro da própria Igreja, têm flertado com o mundo, chegando a dizer que seria a Igreja quem precisaria aprender com a modernidade: aceitando, por exemplo, a Comunhão para recasados, os "casais" homossexuais, a masturbação, a pornografia etc. Ora, não é estranho que justamente essa geração – que não crê mais no amor, que está visivelmente apegada ao dinheiro (seja por parte dos capitalistas, seja por parte dos socialistas), que mata os próprios filhos no ventre de suas mães – queira julgar os santos do passado? Não é muita inconveniência e arrogância dos homens de nosso século, que queiram medir os santos com sua régua torta e viciada?

Estando já na montanha – prossegue o Evangelista –, Jesus age "levantando os olhos e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro" (v. 5). Santo Tomás de Aquino, ao comentar este trecho, faz notar a circunspecção de Nosso Senhor, que não desviava o Seu olhar para um lugar ou outro, mas permanecia atento aos Seus discípulos, a quem ensinava [2].

Jesus pergunta, então, a Filipe: "Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?" (v. 5). O Evangelista deixa claro que Nosso Senhor questiona o Seu discípulo "para pô-lo à prova (πειράζων)" (v. 6). A palavra grega em questão pode ser traduzida tanto como "tentação" quanto como "provação". Como, porém, "Deus não pode ser tentado pelo mal e tampouco tenta a alguém" (Tg 1, 13), o que Cristo faz aqui é pôr à prova a fé dos Seus discípulos, a fim de aumentar-lhes o amor.

À pergunta de Cristo, responde rudemente Filipe: "Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um" (v. 7). As suas palavras estão baseadas em um raciocínio puramente humano, pois ele não vê outra saída para a situação senão com a compra de mais pães.

André, por outro lado, demonstra ter uma fé mais madura, como faz notar o Doutor Angélico:
"André parece ter diante de si o milagre que está prestes a ser realizado. Talvez ele tivesse na memória o sinal que Eliseu havia feito com os pães de cevada, quando saciou cem homens com vinte pães (cf. 2 Rs 4, 42ss), e por isso disse: 'Está aqui um menino com cinco pães de cevada'. Ainda assim, porém, ele não podia supor que Cristo fizesse um milagre maior que o de Eliseu. Na verdade, ele estimava que menos pães seriam milagrosamente produzidos de menos, e mais de um número maior. Por isso, acrescentou: 'Mas o que é isto para tanta gente?', como se dissesse: ainda que esses pães fossem multiplicados como Eliseu multiplicou, não seria o suficiente. No entanto, Ele, a quem não é necessária nenhuma matéria prima, podia saciar facilmente as multidões seja com muitos seja com poucos pães." [3]
Diz, em seguida, Nosso Senhor: "Fazei sentar as pessoas (discumbere)" (v. 10). Na verdade, à época de Cristo, as pessoas comiam estando deitadas. "Os antigos tomavam suas refeições deitados em leitos, de onde se difundiu o costume de usar a palavra discumbere a quem se sentava para comer. Misticamente, isso significa aquela quietude necessária à perfeição da sabedoria, como diz o Autor Sagrado: 'Quem diminui suas correrias, esse é que se encherá de Sabedoria' (Eclo 38, 25)" [4]. O próprio São João Evangelista ficou lembrado como aquele que reclinou a cabeça sobre o peito de Jesus (cf. Jo 13, 25), indicando a atitude com que todo cristão deve proceder na ação de graças depois da Eucaristia.

Aqui, cabe um exame de consciência sobre a forma como nos temos aproximado da Sagrada Comunhão. Se é verdade que por meio desse divino sacramento, Nosso Senhor nos toca com a Sua humanidade, a sua recepção só terá fruto se O recebermos com fé e com as devidas disposições interiores. Caso contrário, seremos como aquela multidão curiosa e distraída que acotovelava Jesus no caminho da casa de Jairo, sem todavia receber a Sua graça (cf. Mc 5, 21-24). De fato, de todas as pessoas que tocaram no Divino Mestre, somente a hemorroíssa foi beneficiada desse contato, porque foi a única pessoa que se aproximou d'Ele com fé (cf. Jo 5, 25-34). Do mesmo modo, quem se senta na relva (v. 10), nos "prados e campinas verdejantes" (Sl 22, 2), e reclina a cabeça no peito de Nosso Senhor depois da Comunhão, vai notar o toque suave e sutil da graça divina em toda a sua vida.

São João prossegue dizendo que o próprio "Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados" (v. 11), diferentemente dos Evangelhos sinóticos, nos quais são os Apóstolos quem distribuem os pães à multidão (cf., Mt 14, 19; Mc 6, 41; Lc 9, 16). Comentando essa discordância entre os evangelistas, Santo Tomás escreve que "aqui é dito que Ele distribuiu, porque se considera que é Ele mesmo quem realiza aquilo que faz por meio de outros. Mas, no sentido místico, ambas as frases são verdadeiras: porque só Ele refaz desde dentro, enquanto os outros o fazem desde fora e como ministros" [5]. Portanto, é o próprio Cristo quem distribui a Comunhão pelas mãos de Seus sacerdotes.

Por fim, depois de todos satisfeitos, os discípulos "recolheram os pedaços e encheram doze cestos (cophinos) com as sobras dos cinco pães" (v. 13). O Aquinate faz notar que o cesto em questão, chamado cophinus, "é um vaso rústico feito para o ofício dos camponeses", e conclui: "Assim, os doze cestos significam os doze Apóstolos e os seus imitadores, que, ainda que sejam desprezados nesta vida, são todavia repletos interiormente das riquezas dos sacramentos espirituais. Dizem-se que são doze porque foram enviados para pregar a fé da Santíssima Trindade às quatro partes do mundo" [6].

O Evangelista conclui narrando que, "quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte" (v. 15). De fato, as pessoas ainda não tinham entendido que o Seu reino não é deste mundo (cf. Jo 18, 36: "Regnum meum non est de mundo hoc"). Cabe fazer, ao fim desta reflexão, um último exame de consciência, pois, talvez, muitos de nós ainda não tenhamos entendido quem seja verdadeiramente Jesus Cristo. Infelizmente, muitos continuamos na mesma miséria dos homens do tempo de Cristo, querendo que Ele resolva os nossos problemas terrenos e imanentes e esquecendo-nos do maior dom que Ele nos veio trazer: o Reino dos céus. Lá, um dia, Ele vai alimentar-nos para sempre com o pão definitivo da visão beatífica. Essa é a nossa esperança. T

Referências:

1. Cf. Santo Tomás de Aquino, Comentário ao Evangelho de São João, VI, 1, 846: "Quisquis pane divini verbi et corpore et sanguine domini desiderat refici, debet transire de vitiis ad virtutes – Quem quer que deseje refazer-se com o pão do Verbo divino e o corpo e sangue do Senhor, deve passar dos vícios às virtudes."
2. Cf. Ibid., 848.
3. Ibid., 853.
4. Ibid., 856.
5. Ibid., 861.
6. Ibid., 865.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Eleito o 3º Ministro Provincial Conventual de Brasília


Aconteceu entre os dias 20 a 24 de Julho de 2015, o 4º Capítulo Provincial Ordinário da Província São Maximiliano Kolbe do Brasil da Ordem dos Frades Menores Conventuais, de Brasília. Na presença do 119º sucessor de São Francisco de Assis e Ministro Geral da Ordem, Frei Marco Tasca e do Frei Carlos Trovarelli, Assistente Geral para a América Latina, os frades prestaram contas do último quadriênio e lançaram-se a estudar as novas metas e perspectivas para o planejamento dos anos 2016 a 2019. Para isso, nesta primeira parte do Capítulo, se reuniram para elegerem o Ministro Provincial e o Governo Provincial para o próximo quadriênio, estando presentes 65 membros, todos com direito a voto, exceto os que, por razões diversas, encontram-se fora do país. O segundo momento de Capítulo (meados do mês de Outubro) será para a eleição dos Guardões dos conventos, Reitores dos Santuários e seminários ou casas de formação, Párocos e outras funções provinciais, como as assistências nacionais para a Milícia da Imaculada e Ordem Franciscana Secular (OFS).

Frei Marcelo Veronez sendo
empossado e fazendo o
juramento perante o Ministro Geral
Na manhã da quinta-feira, 23 de Julho, foi eleito o 3º Ministro Provincial Frei Marcelo José Marin Veronez, natural de Cachoeiro do Itapemirim-ES, de 42 anos de idade. Frei Marcelo Veronez emitiu os votos temporários em 01 de Fevereiro de 1997; fez sua profissão solene em 13 de  Outubro de 2001 e foi ordenado sacerdote em 06 de Dezembro de 2003. É Bacharel em Filosofia (ISB), Bacharel em Teologia (ISB) e Mestre em Teologia Espiritual, pela Pontifícia Universidade Antonianum de Roma. Entre os diversos encargos desempenhados, foi Promotor Vocacional Provincial, Vigário paroquial em Valparaíso de Goiás e do Santuário São Francisco de Assis (Brasília). Recentemente acumulava as funções de Reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia da Província – Instituto São Boaventura (ISB), Definidor e Secretário provincial (2º mandato). 

Como é tradição da Ordem, após a eleição, aceitação do Eleito e acolhida do Ministro Geral, todos os frades foram em procissão solene para a Capela, cantando o Te Deum.

Na manhã da sexta-feira, 24 de Julho, foi eleito o novo Conselho Definitório Provincial:


Da esquerda para a Direita:

Frei Rafael Pinheiro Normando, Secretário Provincial e Definidor.
Frei Hoslan Alencar Guedes, Definidor.
Frei Dilsimar de Negreiros, Vigário (Vice) Provincial e Definidor.
Frei Marcelo Veronez, Ministro Provincial.
Frei Mieczysław Tlaga, Definidor.
Frei Amílton Leandro Gomes Nascimento, Definidor.

Aceitação do Frei Marcelo Veronez ao
encargo de Ministro Provincial











Final do Capítulo Provincial

T



domingo, 19 de julho de 2015

Homilia do 16º Domingo do Tempo Comum, por Pe. Paulo Ricardo



O Divino Carpinteiro das almas

O Evangelho deste Domingo diz que, "ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor."

Para entender a dimensão do problema que é errar "como ovelhas sem pastor", é preciso compreender o que significa o pastoreio na Igreja Católica. Para tanto, importa descobrir a íntima ligação que existe entre o sacerdócio católico e a realidade dos Sacramentos: sem estes, de fato, não é possível entender por que os católicos tanto veneram a figura dos padres, a ponto de beijar-lhes as mãos e honrá-los como verdadeiros pais espirituais.

Comece-se por considerar o tratamento dada pelo culto católico à humanidade de Cristo. Por conta do mistério da união hipostática, segundo o qual as naturezas divina e humana de Nosso Senhor estão admiravelmente associadas entre si, sem confundir-se, nem separar-se [1], é possível não só venerar a Sua humanidade redentora (dulia), mas prestar-lhe um verdadeiro culto de adoração (latria). Na explicação de Santo Tomás de Aquino:
"A adoração da humanidade de Cristo pode ser compreendida de duas maneiras. Em primeiro lugar, enquanto lhe é própria como ao que é adorado. Nesse sentido, adorar a carne de Cristo nada mais é do que adorar o Verbo de Deus encarnado; por exemplo, adorar a roupa do rei nada mais é do que adorar o rei que a veste. Deste ponto de vista, a adoração da humanidade de Cristo é adoração de latria."
"A segunda maneira de entender a adoração da humanidade de Cristo é a que se faz em razão da humanidade de Cristo, enquanto foi aperfeiçoada com todos os dons de graças. Sob esse ponto de vista, a adoração da humanidade de Cristo não é adoração de latria, mas de dulia. De maneira que a mesma e única pessoa de Cristo é adorada com adoração de latria por causa de sua divindade, e com adoração de dulia por causa da perfeição de sua humanidade." [2]
Para salvar o homem, pois, Deus Se serve da humanidade de Cristo como instrumento. Nosso Senhor, por sua vez, para aplicar a Sua graça redentora a todos os homens, instituiu os Sacramentos, que são como que as ferramentas usadas pelo carpinteiro divino para trabalhar as nossas almas. Na Cruz, Ele verdadeiramente nos remiu de uma vez por todas, mas, como "o cálice da salvação humana", "útil a todos", "se não for bebido, não cura" [3], assim também, para que a humanidade de Cristo toque nos homens, eles devem entrar neste rio caudaloso que brota do lado aberto de Cristo (cf. Jo 19, 34). Preleciona novamente o Doutor Angélico:
"É, pois, evidente, que a força dos sacramentos da Igreja provém especialmente da paixão de Cristo; a recepção dos sacramentos, por sua vez, como que nos põe em comunicação com a força da paixão de Cristo. Como sinal dessa conexão, do lado de Cristo pendente na cruz fluíram água e sangue: a água se refere ao batismo, o sangue à Eucaristia, que são os principais sacramentos." [4]
É claro que Deus, sendo onipotente e não estando limitado pelas realidades que Ele mesmo instituiu, pode salvar uma pessoa sem os Sacramentos; estes, porém, constituem o meio ordinário pelo qual as pessoas entram no Reino dos céus. Na carpintaria do Verbo encarnado, Cristo pode trabalhar diretamente na madeira, com as Suas mãos; no entanto, Ele não prescinde de suas ferramentas, com as quais talha a sua divina imagem nas almas.

Para entender como os Sacramentos podem agir no interior do homem, a passagem evangélica da hemorroíssa pode servir como guia (cf. Mc 5, 25-34). Não basta acercar-se de Cristo como o apertava de um lado para o outro a multidão. Só quem toca n'Ele com fé, com a devida disposição interior, pode receber a graça que cura. Para que os Sacramentos façam efeito em nossa alma, para que os sacerdotes e o povo fiel colham frutos da recepção dos sagrados mistérios, convém que se aproximem deles dignamente e com devoção, não como quem se aproxima de um mero "símbolo humano". Diferentemente dos símbolos que os homens criam – ensina Santo Tomás de Aquino –, de fato, "os sacramentos da nova Lei não só significam, mas causam a graça" [5].

Destas verdades provém a fé da Igreja no mistério sacerdotal. O sacerdote é aquele homem, retirado do meio do povo de Deus, para dispensar o sangue de Cristo aos fiéis. Configurados ao Redentor, os próprios sacerdotes são um mistério. E é para que as pessoas reverenciem a nobreza desse ministério que servem certos ritos, normas e prescrições da Igreja, como a piedade na celebração da Santa Missa, a necessidade do uso de paramentos na liturgia ou a importância do hábito eclesiástico para os padres.

Crentes no mistério da vida sacerdotal, lembremo-nos sempre de rezar pelas vocações, atendendo ao conselho do próprio Senhor: "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita!" (Mt 9, 37-38). Depois, serão esses mesmos operários os responsáveis por "implorar (...) a misericórdia divina para o povo" [6] a eles confiado e administrar-lhes os Sacramentos da salvação. É deste virtuoso círculo de oração que se alimenta a Santa Igreja, até a vinda definitiva do único Pastor das almas, Jesus Cristo, Nosso Senhor. T

Referências:

2. Suma Teológica, III, q. 25, a. 2.
3. Sínodo de Quiercy, 853 (DS 624).
4. Suma Teológica, III, q. 62, a. 5.
5. Ibid., III, q. 62, a. 1.
6. Pontifical Romano, Ordenação do Bispo, dos Presbíteros e Diáconos. 3. ed. Conferência Episcopal Portuguesa, p. 77.


sábado, 18 de julho de 2015

Corpo de Padre Pio será exposto no Vaticano no Jubileu da Misericórdia


“O corpo incorrupto de São Pio de Pietrelcina, o santo capuchinho dos estigmas, será exposto e venerado pelos fiéis na Basílica de São Pedro durante o Jubileu da Misericórdia, entre os dias 8 e 14 de fevereiro de 2016, a pedido do Papa Francisco”, informou o Convento Santuário de São Pio de Pietrelcina


Através de uma nota difundida na sua página (leia o texto abaixo, em italiano), o Convento informou que o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, enviou uma carta ao Arcebispo de Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo (Itália), Dom Michele Castoro, para transmitir o desejo do Pontífice.

“O Santo Padre expressou o grande desejo de que os restos de São Pio de Pietrelcina sejam expostos na Basílica de São Pedro na Quarta-feira de Cinzas do próximo Ano Santo Extraordinário, dia no qual serão enviados do mundo inteiro os missionários da misericórdia, a quem se confere o mandato especial de pregar e confessar, para que sejam testemunhos vivos de como o Pai acolhe todos aqueles que estão buscando seu perdão”.

Nesse sentido, a carta afirma que “a presença dos restos de São Pio será um sinal precioso para todos os missionários e sacerdotes, os quais encontrarão força e sustento para a própria missão em seu exemplo admirável de confessor incansável, acolhedor e paciente, autêntico testemunho da Misericórdia do Pai”.

Do mesmo modo, informou-se que no sábado, 13 de fevereiro, o Papa Francisco receberá em audiência privada os filhos espirituais de São Pio de Pietrelcina, provenientes do mundo inteiro. T







sexta-feira, 17 de julho de 2015

Nomeação de Bispo Franciscano: Bispo Auxiliar de Santiago (Chile)


O Santo Padre o Papa Francisco nomeou no último dia 15 de Julho, o Frei Jorge Enrique Concha Cayuqueo, OFM, como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santiago, no Chile. O Bispo eleito nasceu em 1958, em Temuco (Chile), pronunciou os votos solenes em 1983 e foi ordenado sacerdote em 1986. É Doutor em Ciências Sociais, pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desempenhou diversos cargos na Ordem: foi Mestre de professos temporários, secretário provincial para a formação e os estudos. Também foi Vigário paroquial, Ministro Provincial da Província Franciscana da Santíssima Trinidade, no Chile. Atualmente era Primeiro vice-presidente da Conferência dos Religiosos no Chile. T


Fonte: news.va 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

16 de Julho: Memória da Canonização de São Francisco de Assis


No dia 16 de Julho de 1228, dois anos depois de sua morte, São Francisco de Assis foi canonizado pelo Papa Gregório IX. Na ocasião, ele publicou a Bula de Canonização “Mira circa nos” “aos veneráveis irmãos arcebispos, bispos etc. ...”

1. É maravilhoso como Deus se digna ter piedade de nós e inestimável é o amor de sua caridade, pela qual entregou-nos o filho à morte para remir o escravo!

Sem renunciar aos dons de sua misericórdia e conservando com proteção contínua a vinha que foi plantada por sua destra, continua a mandar operários para ela mesmo na décima primeira hora para que a cultivem bem arrancando com a enxada e o arado com o qual Samgar abateu seiscentos Filisteus (Jz 6,31) os espinhos e as ervas más, para que, podados os ramos supérfluos e os brotos espúrios que não levam às raízes, e extirpados os espinheiros, ela possa amadurecer frutos suaves e saborosos.

Aqueles frutos que, purificados na prensa da paciência, poderão ser levados para a adega da eternidade, depois de ter queimado de uma vez, como com o fogo, a impiedade junto com a caridade esfriada de muitos, destinada a ser destruída na mesma ruina, como foram precipitados os filisteus caindo por causa do veneno da volubilidade terrena.

2. Eis o Senhor que, enquanto destruía a terra com a água do dilúvio, guiou o justo em uma desprezível arca de madeira (Sb 10,4), não permitindo que a vara dos pecadores prevalecesse sobre a sorte dos justos (Sl 124,3), na hora undécima suscitou seu servo o bem-aventurado Francisco, homem verdadeiramente segundo o seu coração (Cfr. 1Sm 13,14), lâmpada desprezada no pensamento dos ricos mas preparada para o tempo estabelecido, mandando-o para a sua vinha para que arrancasse os seus espinhos e espinheiros, depois de ter aniquilado os filisteus que a estavam assaltando, iluminando a pátria, e para que a reconciliasse com Deus admoestando com assídua exortação Cfr. Jz 15.15).

3. O qual, quando ouviu interiormente a voz do amigo que o convidava, levantou-se sem demora, despedaçou os laços do mundo cheio de bajulações, como um outro Sansão prevenido pela graça divina e, cheio de Espírito de fervor, pegou uma queixada de asno (Jz 11,15), com uma pregação feita de simplicidade, não enfeitada com as cores de uma persuasiva sabedoria humana (1Cor 1,17), mas com a força poderosa de Deus, que escolhe as coisas fracas do mundo para confundir os fortes, prostrou não só mil mas muitos milhares de filisteus, com o favor daquele que toca os montes e os faz fumegar (Sl 103,32), e reduziu à servidão do espírito os que antes serviam às impurezas da carne.

Quando eles ficaram mortos para os vícios e vivos para Deus e não mais para si mesmos, pois a parte pior tinha perecido, saiu da mesma queixada água abundante (cfr. Jz 15,10), que restaurava, lavava e fecundava todos os que tinham caído, sórdidos e ressecados, aquela água que, brotando para a vida eterna, pode ser comprada sem dinheiro e sem nenhuma outra despesa (Is 55,1) . Expandindo-se por toda parte, seus regatos irrigam a vinha, estendendo até o mar seus ramos, até o rio os seus rebentos (Sl 79,12).

4. Afinal, imitou os exemplos de nosso pai Abraão, saindo espiritualmente de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai, para ir para a terra que o Senhor lhe havia mostrado com sua divina inspiração (Gn 12,1). Para correr mais expeditamente, para o prêmio da vocação celeste (Fl 3,34), e poder entrar mais facilmente pela porta estreita (Mt 7,15), deixou a bagagem das riquezas terrenas, conformando-se com Aquele que, de rico que era fez-se pobre por nós, distribuiu-as, deu-as aos pobres (2Cor, 8,9), para que assim, sua justiça perdurasse para sempre (Sl 111,9).

E quando chegou perto da terra da visão, na montanha que lhe tinha sido mostrada (Gn 22,3), isto é, sobre a excelência da fé, ofereceu ao Senhor em holocausto sua carne, que antes o havia enganado, como filha unigênita, à semelhança da Jefté (Cfr. Jz 11), colocando-se no fogo da caridade, macerando sua carne pela fome, sede, frio, nudez, vigílias sem conta e jejuns. Quando a tinha, assim, crucificado com os vícios e as concupiscências (Gl 5,24), podia dizer com o Apóstolo: Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim (Rm 4,25). E, de fato, já não vivia para si mesmo mas para Cristo, que morreu por nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação, para que já não servíssemos o pecado de maneira alguma.

Suplantando também os vícios, travou uma viril batalha contra o mundo, a carne e os poderes celestes. E, renunciando à mulher, à casa de campo e aos bois, que afastaram os convidados da grande ceia (Lc 14,15-22), levantou-se com Jacó (Cfr. Gn 35,1-11) ao comando do Senhor e, recebendo a graça septiforme do Espírito Santo, assistido pelas oito bem-aventuranças evangélicas, subiu através dos quinze degraus das virtudes, indicadas misticamente nos Salmos, para Betel, a casa do Senhor, que a tinha preparado para ele.

E lá, construindo o altar de seu coração para o Senhor, ofereceu sobre ele os aromas de suas devotas orações, que os anjos haveriam de levar à presença do Senhor com suas mãos, agora que já estava prestes a tornar-se um concidadão dos anjos.

5. Mas, para não ajudar somente a si mesmo lá na montanha, unido apenas no abraço de Raquel, bela mas estéril, isto é, na contemplação, desceu para o quarto proibido de Lia (Cfr. Gn 29), para conduzir o rebanho fecundo de filhos gêmeos através do deserto, procurando para eles as pastagens de vida, a fim de que, lá, onde o alimento é o maná celeste para os que se apartaram do estrépito do mundo, enterrando suas sementes com abundância de lágrimas (Sl 125, 5-6), pudesse colher exultando, os feixes para o celeiro da eternidade, ele destinado a ser colocado entre os príncipes de seu povo, coroado com a coroa de justiça.

É certo que ele não buscou seus próprios interesses mas antes o de Cristo (Fl 3,21), e o serviu como abelha industriosa; e, como estrela da manhã que aparece no meio das nuvens e como lua nos dias de seu pleno esplendor (Sl 50,6), e como sol resplandecente na Igreja de Deus, tomou em suas mãos a lâmpada e a trombeta para chamar para a graça os humildes com as provas de suas obras luminosas, e retirar os calejados no mal de suas graves culpas aterrando-os com uma dura reprovação.

Assim, inspirado pela virtude da caridade, irrompeu intrepidamente no acampamento dos madianitas, isto é, daqueles que evitam o juízo da Igreja por desprezo, com a ajuda daquele que, enquanto estava fechado dentro do seio da Virgem, atingia o mundo inteiro com o seu domínio; e arrebatou as armas em que punha sua confiança o forte armado que guardava sua casa (Lc 11,21-22), e distribuiu os despojos que ele mantinha, levando como escrava a escravidão (Ef 4,8) dele em homenagem a Jesus Cristo.

6. Por isso, tendo superado enquanto estava na terra o tríplice inimigo, fez violência ao Reino dos Céus e com a violência arrebatou-o (Mt 11,12). E depois das numerosas e gloriosas batalhas desta vida, triunfando sobre o mundo, voltou ao Senhor, precedendo muitos dotados de ciência, ele que deliberadamente era sem ciência e sabiamente ignorante.

7. Na verdade, ainda que sua vida, tão santa, operosa e luminosa, tenha sido suficiente para que conquistasse a companhia da Igreja triunfante, a Igreja militante, que só vê a face exterior, não tem a presunção de julgar por sua própria autoridade aqueles que não são de sua alçada, para apresentá-los à veneração baseando-se só sobre a sua vida, principalmente porque algumas vezes o anjo de satanás transforma-se em anjo de luz (2Cor 11,14); o Onipotente e misericordioso Deus, por cuja graça o referido servo de Cristo serviu-o dignamente e com louvor, não permitindo que uma lâmpada tão maravilhosa ficasse escondida embaixo do alqueire, mas querendo colocá-la sobre o candelabro para oferecer a restauração de sua luz a todos aqueles que estão na casa (Lc 11,33), declarou com múltiplos e grandiosos milagres que a vida dele era agradável para ela e que sua memória devia ser venerada na Igreja militante.

8. Portanto, como já nos eram plenamente conhecidos os traços mais singulares de sua vida gloriosa, pela familiaridade que teve conosco quando estávamos constituídos em um cargo menor, e fosse feita fé plena a respeito do esplendor de seus múltiplos milagres, através de testemunhas idôneas de que nós e o rebanho a nós confiado seríamos ajudados por sua intercessão e teríamos como patrono no céu aquele que foi nosso amigo na terra, reunindo o consistório de nossos irmãos [os cardeais], e tendo obtido o consentimento deles, decretamos que o inscrevíamos no catálogo dos santos para a devida veneração.

9. Estabelecemos que a Igreja universal celebre devotamente e com solenidade o seu nascimento para o céu no dia 4 de outubro, o dia em que, livre do cárcere da carne, subiu ao Reino celeste.

10. Por isso pedimos, admoestamos e exortamos no Senhor a todos vós, e comunicando-o através deste escrito apostólico que, nesse dia, vos apliqueis intensa e alegremente aos divinos louvores na sua comemoração e imploreis humildemente que por sua intercessão e méritos possamos chegar à sua companhia. Que isso vos conceda Aquele que é bendito nos séculos dos séculos. Amém.

Dado em Perusa, no dia 19 de julho de 1228, no segundo ano de nosso pontificado. T


terça-feira, 14 de julho de 2015

Nomeação de Bispo Franciscano: Bispo Coadjutor de Trípoli (Líbia)


O Santo Padre o Papa Francisco nomeou na última sexta-feira, 10 de Julho, o Frei George Bugeja OFM, como Bispo Coadjutor do Vigário Apostólico de Trípoli, na Líbia. O Bispo eleito nasceu em Xaghara (Malta), em 1962, professou os votos solenes em 1983 e foi ordenado sacerdote em 1986.

Depois de cursar os estudos de Filosofia e Teologia no Institum Nationale Studiorum Ecclesiasticorum Religiosorum Melitensium, obteve o Diploma em Jornalismo em Londres (Reino Unido) e efetuou um curso de Direção Espiritual. Desempenhou sua atividade pastoral na diocese de Gozo e foi guardião da Comunidade de Hamru, Rabat, Gozo e Slema; foi pároco e auditor do Tribunal Eclesiástico e Delegado Oficial  na Congregação para a Evangelização dos Povos. Atualmente era guardião do convento de Santo Antônio de Pádua em Ghajnsielem, Gozo (Malta). T

Fonte: OFM.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Libertado o franciscano sequestrado na Síria


"Frei Dhiya Azziz, OFM, de origem iraquiana, sequestrado no dia 04 de Julho, na Síria, está livre." A notícia foi dada pela Custódia da Terra Santa, na última sexta-feira, 10 de Julho. O frade foi levado da sua paróquia de Yacoubieh, no Valle dell’Oronte, onde existem diversas vilas cristãs. A princípio, as suspeitas estavam concentradas no Al-Nusra, grupo jihadista ativo naquela região. 

Ao invés disso — sempre se referindo à Custódia da Terra Santa — "este grupo negou qualquer envolvimento no seu sequestro e presumivelmente ajudou nas investigações da polícia nos vilarejos vizinhos", tanto que se chegou à libertação do religioso. Segundo os frades da Custódia, guiada pelo Frei Pierbattista Pizzaballa, que, imediatamente após o incidente havia expresso toda a sua apreensão: "Frei Dhiya foi sequestrado por um outro grupo jihadista desejoso por lucrar com a sua libertação." Na região existem, de fato, "um grande número de grupos que agem com diversos interesses". Em outras palavras, o objetivo era o resgate. Em todo caso, o franciscano "foi bem tratado, durante o seu sequestro." T

Trad. Adapt. Cleiton Robsonn.


domingo, 12 de julho de 2015

Homilia do 15º Domingo do Tempo Comum, por Pe. Paulo Ricardo



Não levar nada para o caminho

No Evangelho deste Domingo, Jesus envia os Seus Apóstolos em missão, recomendando "que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado". Qual a lição que Nosso Senhor quer passar a Seus discípulos? Como viver o desapego das coisas deste mundo e aprender a confiar na providência divina? Neste Testemunho de Fé, entre na escola da família de Nazaré e descubra como encontrar Cristo na pobreza de bens materiais. T




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