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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Via Sacra no Coliseu, presidida pelo Pelo Papa Francisco 2014



VIA-SACRA
NO COLISEU
PRESIDIDA POR SUA SANTIDADE
O PAPA FRANCISCO
SEXTA-FEIRA SANTA
Roma, 18 de Abril de 2014

«ROSTO DE CRISTO,
ROSTO DO HOMEM»

MEDITAÇÕES
preparadas por Sua Excelência Reverendíssima
D. Giancarlo Maria Bregantini
Arcebispo de Campobasso-Boiano

INTRODUÇÃO
Adoramus te, Christe

Schola cantorum:

Adoramus te, Chiste, et benedicimus tibi,
quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Domine, miserere nobis.

Santo Padre:

V/. In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti.
R/.
 Amen.

Leitor:

«Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que diz a verdade, para vós crerdes também. É que isto aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: Não se lhe quebrará nenhum osso. E também outro passo da Escritura diz: Hão-de olhar para aquele que trespassaram» (Jo 19, 35-37).

Amável Jesus,
subistes ao Gólgota sem hesitar, obrigação de amor,
e deixastes-Vos crucificar sem lamento.
Humilde Filho de Maria,
tomastes o peso da nossa noite
para nos mostrar com quanta luz
queríeis dilatar-nos o coração.
Nas vossas dores, está a nossa redenção,
nas vossas lágrimas se desenha «a Hora»
da revelação do Amor gratuito de Deus.
Sete vezes perdoados,
nos vossos últimos suspiros de Homem entre os homens,
a todos nos levais de volta ao coração do Pai,
para nos indicar, nas vossas últimas palavras,
o caminho da redenção para toda a nossa dor.
Vós, o Todo Encarnado, aniquilais-Vos na Cruz,
compreendido apenas por Aquela, a Mãe,
que fielmente «estava» ao pé daquele patíbulo.
A vossa sede é fonte de esperança sempre acesa,
mão estendida mesmo para o malfeitor arrependido,
que hoje, graças a Vós, doce Jesus, entra no paraíso.
A todos nós, Senhor Jesus Crucificado,
concedei a vossa infinita Misericórdia,
perfume de Betânia sobre o mundo,
gemido de vida para a humanidade.
E no fim, abandonados nas mãos do vosso Pai,
abri-nos a porta da Vida que não morre. Amen.

I ESTAÇÃO
Jesus é condenado à morte
O dedo em riste que acusa


V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas 23, 21-25

«De novo Pilatos dirigiu-lhes a palavra, querendo libertar Jesus. Mas eles gritavam: “Crucifica-O! Crucifica-O!” Pilatos disse-lhes pela terceira vez: “Que mal fez Ele, então? Nada encontrei n’Ele que mereça a morte. Por isso, vou libertá-Lo, depois de O castigar”. Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência. Então, Pilatos decidiu que se fizesse o que eles pediam. Libertou o que fora preso por sedição e homicídio, e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam».

Um Pilatos amedrontado que não procura a verdade, o dedo em riste que acusa e o clamor crescente da multidão enfurecida são os primeiros passos do morrer de Jesus. Inocente, como um cordeiro, cujo sangue salva o seu povo. Aquele Jesus que passou pelo meio de nós, curando e abençoando, agora é condenado à pena capital. Nenhuma palavra de agradecimento da multidão, que, em vez d’Ele, escolhe Barrabás. Para Pilatos, torna-se um caso embaraçoso. Abandona-O à multidão e lava as mãos, todo apegado ao seu poder. Entrega-O, para ser crucificado. Não quer mais saber d’Ele para nada. Para ele, o caso está encerrado.

A condenação apressada de Jesus reúne assim as acusações fáceis, os juízos superficiais entre o povo, as insinuações e os preconceitos que fecham o coração e se tornam cultura racista, de exclusão e de descarte, juntamente com as cartas anónimas e as calúnias horríveis. Acusados, imediatamente são atirados para a primeira página; declarados inocentes, acaba-se na última!

E nós? Saberemos ter uma consciência recta e responsável, transparente, que nunca volte as costas ao inocente, mas se posicione, com coragem, em defesa dos fracos, resistindo à injustiça e defendendo em todo o lado  a verdade violada?
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ORAÇÃO
Senhor Jesus,
há mãos que dão apoio
e há mãos que assinam sentenças injustas.
Fazei que, sustentados pela vossa graça, não descartemos ninguém.
Defendei-nos das calúnias e da mentira.
Ajudai-nos a procurar sempre a verdade
e a estar da parte dos fracos,
capazes de acompanhar o seu caminho.
E dai a vossa luz a quem deve, por missão, julgar em tribunal,
para que pronuncie sempre sentenças justas e verdadeiras. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Stabat Mater dolorosa
iuxta crucem lacrimosa,
dum pendebat Filius.

II ESTAÇÃO
Jesus carrega a Cruz
O madeiro pesado da crise




V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Da primeira Carta de São Pedro 2, 24-25

«Subindo ao madeiro, Jesus levou os nossos pecados no seu corpo, para que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas feridas, fostes curados. Na verdade, éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao Pastor e Guarda das vossas almas».

Aquele madeiro da cruz pesa, porque nele Jesus leva os pecados de todos nós. Cambaleia sob aquele peso, grande demais para um homem só (Jo 19, 17).

Nele está também o peso de todas as injustiças que produziram a crise econômica, com as suas graves consequências sociais: precariedade, desemprego, demissões, dinheiro que governa em vez de servir, especulação financeira, suicídios de empresários, corrupção e usura, juntamente com empresas que deixam os países.

Esta é a cruz pesada do mundo do trabalho, a injustiça colocada sobre os ombros dos trabalhadores. Jesus toma-a sobre os seus ombros e ensina-nos a viver, não mais na injustiça, mas capazes, com sua ajuda, de criar pontes de solidariedade e esperança, para não sermos ovelhas errantes nem extraviadas nesta crise.

Portanto voltemos para Cristo, Pastor e Guarda das nossas almas. Lutemos juntos pelo trabalho na reciprocidade, vencendo o medo e o isolamento, recuperando a estima pela política e procurando juntos a saída para os problemas.

Então, a cruz tornar-se-á mais leve, se levada com Jesus e sustentada conjuntamente por todos, porque «pelas suas feridas – transformadas em frestas – fomos curados» (cf. 1 Ped 2, 24).
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ORAÇÃO
Senhor Jesus,
a nossa noite é cada vez mais densa!
A pobreza assume o aspecto da miséria.
Não temos pão para dar aos filhos e as nossas redes estão vazias.
Incerto, o nosso futuro. Provede ao trabalho que falta.
Suscitai em nós o ardor pela justiça,
para que a vida que levamos não seja feita de rastos,
mas vivida em dignidade! Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Cuius animam gementem,
contristatam et dolentem
pertransivit gladius.

III ESTAÇÃO
Jesus cai pela primeira vez
A fragilidade que nos abre ao acolhimento




V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Livro do profeta Isaías 53, 4-5

«Ele tomou sobre si as nossas doenças, carregou as nossas dores. Nós o reputávamos como um leproso, ferido por Deus e humilhado. Mas foi ferido por causa dos nossos crimes, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que nos salva caiu sobre ele».

É um Jesus frágil, humaníssimo, Aquele que contemplamos, maravilhados, nesta estação de grande sofrimento. Precisamente esta sua queda, no pó, revela-nos ainda mais o seu amor imenso. É empurrado pela multidão, atordoado pelos gritos dos soldados, sofre a ardência das chagas da flagelação, cheio de amargura interior pela imensa ingratidão humana. E cai. Cai por terra.

Mas nesta queda, cedendo ao peso e à fadiga, uma vez mais Jesus faz-Se Mestre de vida. Ensina-nos a aceitar as nossas fragilidades, a não desanimar com os nossos fracassos, a reconhecer com lealdade as nossas limitações: «Querer o bem – diz São Paulo – está ao meu alcance, mas realizá-lo, isso não» (Rm 7, 18).

Com esta força interior, que Lhe vem do Pai, Jesus ajuda-nos a acolher também as fragilidades dos outros; a não encarniçar-nos contra quem está caído, a não ficar indiferente perante os que caem. E dá-nos a força para não fechar a porta a quem bate às nossas casas, pedindo asilo, dignidade e pátria. Cientes da nossa fragilidade, acolheremos no nosso meio a fragilidade dos imigrantes, para que encontrem apoio e esperança.

De fato, é na água suja da bacia do Cenáculo, isto é, na nossa fraqueza que se reflecte o verdadeiro rosto do nosso Deus! Por isso, «todo o espírito que confessa Jesus Cristo que veio em carne mortal é de Deus» (1 Jo 4, 2).
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ORAÇÃO
Senhor Jesus,
que Vos fizestes humilde para resgatar as nossas fragilidades,
tornai-nos capazes de entrar em verdadeira comunhão
com os nossos irmãos mais pobres.
Arrancai-nos do coração toda a raiz de medo e de cômoda indiferença,
que nos impede de Vos reconhecer nos imigrantes,
para testemunhar que a vossa é uma Igreja sem fronteiras,
verdadeira mãe de todos! Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
O quam tristis et afflicta
fuit illa benedicta
Mater Unigeniti!
IV ESTAÇÃO
Jesus encontra Sua Mãe
As lágrimas solidárias





V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho de São Lucas e da Carta de São Paulo aos Romanos

«Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: “Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma» (Lc 2, 34-35). «Chorai com os que choram. Preocupai-vos em andar de acordo uns com os outros» (Rm 12, 15-16).

Carregado de emoção e de lágrimas pungentes é este encontro de Jesus com sua Mãe, Maria. Exprime-se nele a força invencível do amor materno, que supera todo o obstáculo e sabe abrir qualquer estrada. Mas ainda mais vivo é o olhar solidário de Maria, que se solidariza e dá força ao Filho. Assim o nosso coração enche-se de maravilha, ao contemplar a grandeza de Maria precisamente no facto de, sendo Ela criatura, se fazer o «próximo» do seu Deus e Senhor.

Nas lágrimas d’Ela, reúnem-se todas as lágrimas de cada mãe pelos seus filhos distantes, pelos jovens condenados à morte, trucidados ou enviados para a guerra, especialmente as crianças-soldado. Aqui ouvimos o lamento desolador das mães pelos seus filhos, que morrem por causa dos tumores produzidos pela incineração dos resíduos tóxicos.

Lágrimas amarguíssimas! Partilha solidária da angústia dos filhos! Mães de vigia na noite, com as lâmpadas acesas, temendo pelos jovens vítimas da precariedade ou engolidos pela droga e pelo álcool, especialmente nas noites de sábado.

Ao redor de Maria, nunca seremos um povo órfão! Também a nós, como a São Juan Diego, Maria oferece a carícia da sua consolação materna e diz-nos: «Não se perturbe o teu coração. (...) Não estou aqui eu, que sou tua Mãe?» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 286).
==========
ORAÇÃO
Ave, minha Mãe,
dai-me a vossa santa bênção.
Abençoai-me a mim e toda a minha casa.
Dignai-Vos oferecer a Deus tudo o que hoje tenho de fazer e sofrer,
em união com os méritos vossos e do vosso santíssimo Filho.
Eu Vos ofereço e dedico tudo o que sou e tenho ao vosso serviço,
colocando-me completamente sob o vosso manto.
Alcançai-me, ó Senhora minha, pureza de mente e de corpo
e fazei que, neste dia,
nada faça que possa desagradar a Deus.
Vo-lo peço pela vossa Imaculada Conceição
e pela vossa ilibada virgindade. Amen.
(São Gaspar Bertoni).

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Quæ mærebat et dolebat
pia Mater, dum videbat
Nati pœnas incliti.

V   ESTAÇÃO
Simão de Cirene ajuda Jesus a levar a Cruz
A mão amiga que levanta




V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho segundo São Marcos15, 21

«Para Lhe levar a cruz, requisitaram um homem que passava por ali ao regressar dos campos, um tal Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo».

Simão de Cirene passa por acaso. Mas torna-se um encontro decisivo na sua vida. Voltava dos campos. Homem de fadiga e de vigor. Por isso, foi forçado a levar a cruz de Jesus, condenado a uma morte infame (cf. Fil 2, 8).

Mas, aquele encontro transformar-se-á, de casual, num decisivo e vital seguimento atrás de Jesus, carregando dia a dia a sua cruz, renegando-se a si mesmo (cf. Mt 16, 24-25). Com efeito, Simão é recordado por Marcos como o pai de dois cristãos conhecidos na comunidade de Roma: Alexandre e Rufo. Um pai que, de certeza, imprimiu no coração dos filhos a força da cruz de Jesus. É que a vida, se a guardas demasiado para ti, torna-se bafienta e árida. Mas, se a ofereces, floresce tornando-se espiga de trigo para ti e para toda a comunidade.

Aqui está a verdadeira cura do nosso egoísmo, sempre à espreita. A relação com os outros cura-nos e gera uma fraternidade mística, contemplativa, que sabe ver a grandeza sagrada do próximo, que sabe descobrir Deus em cada ser humano, que sabe suportar as moléstias da existência, agarrando-se ao amor de Deus. Só abrindo o coração ao amor divino, sou impelido a procurar a felicidade dos outros nos variados gestos de voluntariado: uma noite no hospital, um empréstimo sem juros, uma lágrima enxugada em família, a gratuidade sincera, o compromisso clarividente do bem comum, a partilha do pão e do trabalho, vencendo toda e qualquer forma de ciúmes e de inveja.

É o próprio Jesus que no-lo recorda: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).
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ORAÇÃO
Senhor Jesus,
no amigo Cireneu vibra o coração da vossa Igreja,
que se fez tecto de amor para quantos têm sede de Vós.
A ajuda fraterna é a chave para cruzarmos, juntos, a porta da Vida.
Não permitais que o nosso egoísmo nos faça passar ao largo,
mas ajudai-nos a derramar o óleo da consolação nas feridas alheias,
para nos tornarmos companheiros de estrada leais,
sem fugas e sem nunca nos cansarmos de optar pela fraternidade. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Quis est homo qui non fleret,
Matrem Christi si videret
in tanto supplicio?

VI ESTAÇÃO
Verônica limpa o rosto de Jesus
A ternura feminina




V/.Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Livro dos Salmos Sal 27, 8-9

«O meu coração murmura por Ti, os meus olhos Te procuram; é a tua face que eu procuro, Senhor. Não desvies de mim o teu rosto, nem afastes, com ira, o teu servo. Tu és o meu amparo: não me rejeites nem abandones, ó Deus, meu Salvador».

Jesus lá se vai arrastando com dificuldade, ofegante. Mas a luz no seu rosto permanece intacta. Não há ofensa que possa sobrepor-se à sua beleza. Os escarros não a obscureceram. As bofetadas não conseguiram apagá-la. Aquele rosto apresenta-se como uma sarça ardente, que quanto mais é ultrajado tanto mais consegue emanar uma luz de salvação. Caem lágrimas silenciosas dos olhos do Mestre. Carrega o peso do abandono. E no entanto Jesus avança, não pára, não volta para trás. Enfrenta a opressão. Perturba-O a crueldade, mas Ele sabe que o seu morrer não será em vão.

Então, Jesus pára diante de uma mulher que vem ao seu encontro, sem qualquer hesitação. É a Verônica, verdadeira imagem feminina da ternura.

Aqui o Senhor encarna a nossa necessidade de amorosa gratuidade, de nos sentirmos amados e protegidos por gestos de carinho e cuidado. As carícias desta criatura ficam banhadas pelo sangue precioso de Jesus e parecem cancelar os actos de profanação que Ele recebeu naquelas horas de tortura. A Verónica consegue tocar o doce Jesus, roçar a sua candura. Não só para aliviar, mas também para participar no seu sofrimento. Em Jesus, reconhece todo o próximo que deve consolar com um toque de ternura, querendo chegar aos gemidos de dor de quantos, hoje, não recebem assistência nem calor de compaixão. E morrem de solidão.
==========
ORAÇÃO
Senhor Jesus,
como pesa o afastamento de quem julgávamos
estar ao nosso lado nos dias da desolação!
Mas, Vós, envolvei-nos com aquele pano
que traz impresso o vosso sangue precioso,
derramado ao longo do caminho do abandono,
que, também Vós, sofrestes injustamente.
Sem Vós, não temos
nem podemos dar qualquer alívio. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Quis non posset contristari,
Christi Matrem contemplari
dolentem cum Filio?

VII ESTAÇÃO
Jesus cai pela segunda vez
A angústia da prisão e da tortura




V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Livro dos Salmos Sal 117, 11.12-13.18

«Rodearam-me (...). Cercaram-me como um enxame de vespas, a sua fúria crepitava como fogo entre espinhos, mas eu aniquilei-os em nome do Senhor. Empurraram-me com violência para eu cair, mas o Senhor veio em meu auxílio. (...) O Senhor castigou-me com dureza, mas não me deixou morrer».

Em Jesus cumprem-se verdadeiramente as antigas profecias do Servo humilde e obediente, que toma sobre os seus ombros toda a nossa história de sofrimento. E assim Jesus, empurrado para a frente à força, cai sob a fadiga e a opressão, rodeado, circundado pela violência, já sem forças. Cada vez mais só, sempre mais nas trevas. Dilacerado na carne, debilitado nos ossos.

N’Ele reconhecemos a amarga experiência dos encarcerados de cada prisão, com todas as suas desumanas contradições. Rodeados e cercados, «empurrados violentamente para cair». Hoje, a prisão continua a ser demasiado distante, esquecida, repudiada pela sociedade civil. Existem as absurdidades da burocracia, a lentidão da justiça. Dupla pena é ainda a superlotação: é um sofrimento agravado, uma opressão injusta, que consome a carne e os ossos. Alguns – demasiados! – não conseguem resistir… E mesmo quando um irmão nosso sai, ainda o consideramos um «ex-preso», fechando-lhe deste modo as portas do resgate social e laboral.

Mais grave, porém, é a prática da tortura, infelizmente ainda espalhada em várias partes da terra e sob variadas formas. Tal como sucedeu com Jesus: também Ele açoitado, humilhado pela soldadesca, torturado com a coroa de espinhos, flagelado cruelmente.

Hoje, à vista desta queda, como sentimos verdadeiras as palavras de Jesus: «Estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 36). Em cada prisão, junto de cada torturado, está sempre Ele, o Cristo sofredor, preso e torturado. Quando provados, mesmo duramente, é Ele o nosso auxílio, para não se apoderar de nós o pavor. Só juntos nos levantamos, acompanhados por válidos agentes sociais, apoiados pela mão fraterna dos voluntários e erguidos por uma sociedade civil que faz suas as inúmeras injustiças dentro dos muros de uma prisão.
==========
ORAÇÃO
Senhor Jesus,
uma comoção sem fim se apodera de mim
ao ver-Vos caído no chão por mim.
Nenhum mérito tenho, só uma multidão de pecados, incoerências, fragilidades.
Por resposta, um grande Amor de predilecção!
Expulsos da sociedade, mortos pelo julgamento,
Vós nos abençoastes para sempre.
Felizes de nós, se hoje estamos contigo, aqui no chão, resgatados
/
 da condenação.
Concedei-nos que não fujamos das nossas responsabilidades,
dai-nos a graça de habitar na vossa humilhação, a salvo de qualquer pretensão
/
 de omnipotência
para renascer para uma vida nova como criaturas feitas para o Céu. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Pro peccatis suæ gentis
vidit Iesum in tormentis,
et flagellis subditum.

VIII ESTAÇÃO
Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Partilha e não comiseração



V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas 23, 28

«Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos».

Como tochas acesas, nos aparecem as figuras femininas ao longo da via dolorosa. Mulheres de fidelidade e coragem, que não se deixam intimidar pelos guardas nem escandalizar pelas chagas do Bom Mestre. Estão prontas a encontrá-Lo e a consolá-Lo. Jesus está ali na frente delas. Há quem O espezinhe no momento em que cai por terra exausto. Mas, as mulheres estão ali, prontas a oferecer-Lhe aquele palpitar caloroso que o coração já não consegue conter. Primeiro, olham-No de longe, mas depois aproximam-se d’Ele como faz todo o amigo, todo o irmão ou irmã, quando se apercebe da dificuldade que vive a pessoa amada.

Jesus é sensível às suas lágrimas amargas, mas exorta-as a não consumirem o coração vendo-O assim maltratado, a não serem mais mulheres lacrimantes, mas crentes! Pede uma dor compartilhada e não uma comiseração estéril e lacrimosa. Não mais lamentações, mas vontade de renascer, olhar em frente, avançar com fé e esperança para aquela aurora de luz que surgirá ainda mais deslumbrante sobre a cabeça de quantos caminham rumo a Deus. Choremos sobre nós mesmos, se ainda não acreditamos naquele Jesus que nos anunciou o Reino da salvação. Choremos pelos nossos pecados não confessados.

Mais, choremos por aqueles homens que descarregam sobre as mulheres a violência que têm dentro. Choremos pelas mulheres escravizadas pelo medo e a exploração. Mas, não basta bater no peito e sentir comiseração. Jesus é mais exigente. As mulheres devem ser tranquilizadas como Ele fez, devem ser amadas como um dom inviolável para toda a humanidade. Para o crescimento dos nossos filhos, em dignidade e esperança.
==========
ORAÇÃO
Senhor Jesus,
detém a mão de quem espanca as mulheres!
Levanta o coração delas do abismo do desespero
quando se tornam presa de violência.
Visita o seu choro, quando se encontram sozinhas.
E abre o nosso coração à partilha de cada dor,
com sinceridade e fidelidade,
ultrapassando a compaixão natural,
para nos tornarmos instrumentos de verdadeira libertação. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Eia, Mater, fons amoris,
me sentire vim doloris
fac, ut tecum lugeam.

IX ESTAÇÃO
Jesus cai pela terceira vez
Vencer a má nostalgia



V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Da Carta de São Paulo aos Romanos 8, 35.37

«Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (…) Mas em tudo isso saímos mais do que vencedores, graças Àquele que nos amou».

São Paulo enumera as suas provações, mas sabe que, antes dele, passou por elas Jesus, que, no caminho para o Gólgota, cai uma, duas, três vezes. Destroçado pelas tribulações, a perseguição, a espada, oprimido pelo madeiro da cruz. Exausto! Parece dizer, como nós em muitos momentos sombrios: Não aguento mais!

É o grito dos perseguidos, dos moribundos, dos doentes terminais, dos oprimidos sob o jugo.

Mas, em Jesus, é visível também sua força: «Embora [Deus] aflija, tem compaixão» (Lam 3, 32). Indica-nos que, na aflição, há sempre a sua consolação, um “mais além” a vislumbrar na esperança. Como se faz na poda das árvores, com igual sabedoria procede o Pai Celeste precisamente com os ramos que produzem fruto (cf. Jo 15, 8). Nunca o faz pela amputação em si, mas sempre em prol de um reflorescimento. Como uma mãe, quando chega a sua hora: está aflita, geme, sofre no parto. Mas sabe que são as dores de parto duma vida nova, da primavera em flor, precisamente como na referida poda.
A contemplação de Jesus, caído mas capaz de levantar-Se, nos ajude a saber vencer os isolamentos que o medo do amanhã imprime no nosso coração, sobretudo neste tempo de crise. Superemos a má nostalgia do passado, a comodidade do imobilismo, do «sempre se fez assim»! Aquele Jesus que cambaleia e cai, mas depois Se levanta, é a certeza duma esperança, que, nutrida pela oração intensa, nasce precisamente dentro da provação e não depois da provação nem sem a provação. Seremos mais do que vencedores, graças ao seu amor.
==========
ORAÇÃO
Senhor Jesus,
erguei, Vo-lo pedimos, do pó o miserável,
levantai os pobres da miséria, fazei-os sentar com os chefes do povo
e atribuí-lhes um trono de glória.
Quebrai o arco dos fortes e revesti de vigor os fracos,
porque só Vós nos fazeis ricos precisamente com a vossa pobreza. Amen.
(cf. 1 Sam 2, 4-8; 2 Cor 8, 9).

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Fac ut ardeat cor meum
in amando Christum Deum,
ut sibi complaceam.

X ESTAÇÃO
Jesus é despojado das vestes
A unidade e a dignidade




V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho de São João 19, 23-24

«Os soldados, depois de terem crucificado Jesus, pegaram na roupa d’Ele e fizeram quatro partes, uma para cada soldado, excepto a túnica. A túnica, toda tecida de uma só peça de alto a baixo, não tinha costuras. Então os soldados disseram uns aos outros: “Não a rasguemos; tiremo-la à sorte, para ver a quem tocará”. Assim se cumpriu a Escritura que diz: Repartiram entre eles as minhas vestes e sobre a minha túnica lançaram sortes”. E foi isto o que fizeram os soldados».

Nem sequer um pedaço de pano deixaram a cobrir o corpo de Jesus. Desnudaram-No. Não tinha manto nem túnica, não tinha veste alguma. Desnudaram-No como acto de extrema humilhação. Só o cobria o sangue, que borbotava das suas inúmeras feridas.

A túnica fica intacta: símbolo da unidade da Igreja, uma unidade que se deve reencontrar num caminho paciente, numa paz artesanal, construída cada dia, num tecido composto com os fios de ouro da fraternidade, na reconciliação e no perdão recíproco.

Em Jesus inocente, desnudado e torturado, reconhecemos a dignidade violada de todos os inocentes, especialmente dos humildes. Deus não impediu que o seu corpo, nu, fosse exposto na cruz. Fê-lo para resgatar todo o abuso, injustamente coberto, e demonstrar que Ele, Deus, está irrevogavelmente e sem meios termos da parte das vítimas.
==========
ORAÇÃO
Senhor Jesus,
queremos voltar a ser inocentes como crianças,
para podermos entrar no reino dos céus,
purificados das nossas imundícies e dos nossos ídolos.
Tirai do nosso peito o coração de pedra das divisões,
que tornam pouco credível a vossa Igreja.
Dai-nos um coração novo e um espírito novo,
para vivermos segundo os vossos preceitos
e observarmos e pormos em prática as vossas leis. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Sancta Mater, istud agas,
Crucifixi fige plagas
cordi meo valide.

XI ESTAÇÃO
Jesus é pregado na Cruz
No leito dos doentes




V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho segundo São Marcos 15, 24-28

«Depois, crucificaram-No e repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para ver o que cabia a cada um. Eram umas nove horas da manhã, quando O crucificaram. Na inscrição com a condenação, lia-se: “O rei dos judeus”. Com Ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Deste modo, cumpriu-se a passagem da Escritura que diz: Foi contado entre os malfeitores».

E crucificaram-No! A punição dos infames, dos traidores, dos escravos rebeldes. Esta é a condenação reservada a Jesus, Senhor nosso: cravos ásperos, dores pungentes, a angústia da mãe, a vergonha de ser agregado a dois bandidos, as vestes divididas como despojo entre os soldados, as zombarias cruéis dos transeuntes: «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo (...), desça da cruz e acreditaremos n’Ele» (Mt 27, 42).

E crucificaram-No! Jesus não desce, não abandona a cruz. Permanece, profundamente obediente à vontade do Pai. Ama e perdoa.

Também hoje, como Jesus, muitos dos nossos irmãos e irmãs estão cravados num leito de sofrimento, nos hospitais, nos lares de terceira idade, nas nossas famílias. É o tempo da provação, com dias amargos de solidão e mesmo de desespero: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mt 27, 46).

A nossa mão nunca se levante para trespassar, mas sempre para aproximar, consolar e acompanhar os doentes, levantando-os do seu leito de sofrimento. A doença não pede licença. Chega sempre inesperada. Às vezes transtorna, limita os horizontes, põe a dura prova a esperança. Amargo é o seu fel. Só se encontrarmos junto de nós alguém que nos ouça, esteja ao nosso lado, se sente no nosso leito..., só então a doença pode tornar-se uma grande escola de sabedoria, encontro com o Deus Paciente. Quando alguém toma sobre si as nossas enfermidades, por amor, a própria noite do sofrimento abre-se à luz pascal de Cristo crucificado e ressuscitado. E aquilo que humanamente é uma condenação, pode transformar-se numa oblação redentora, para bem das nossas comunidade e famílias. A exemplo dos Santos.
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ORAÇÃO
Senhor Jesus,
não estejais longe de mim,
sentai-Vos no meu leito de sofrimento e fazei-me companhia.
Não me deixeis sozinho, estendei a vossa mão e erguei-me.
Eu creio que Vós sois o Amor,
e creio que a vossa vontade é a expressão do vosso Amor;
por isso me entrego à vossa vontade,
pois confio no vosso Amor. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Tui Nati vulnerati,
tam dignati pro me pati
pœnas mecum divide.

XII ESTAÇÃO
Jesus morre na Cruz
O gemido das sete palavras




V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho segundo São João 19, 28-30

«Depois disso, Jesus, sabendo que tudo se consumara, para se cumprir totalmente a Escritura, disse: “Tenho sede!” Havia ali uma vasilha cheia de vinagre. Então, ensopando no vinagre uma esponja fixada num ramo de hissopo, chegaram-Lha à boca. Quando tomou o vinagre, Jesus disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito».

As sete palavras de Jesus na cruz são uma obra-prima de esperança. Jesus, lentamente, com passos que também são os nossos, atravessa toda a escuridão da noite, para Se abandonar, confiadamente, nos braços do Pai. É o gemido dos moribundos, o grito dos desesperados, a prece dos falidos. É Jesus!

«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mt 27, 46). É o grito de Job, de todo o homem atingido pela desventura. E Deus cala-Se. Cala-Se, porque a sua resposta está ali, na cruz: é Ele, Jesus, a resposta de Deus, Palavra eterna encarnada por amor.

«Lembra-Te de mim...» (Lc 23, 42). A prece fraterna do malfeitor, feito companheiro de dor, penetra no coração de Jesus, que nela sente o eco da sua própria dor. E Jesus ouve aquela súplica: «Hoje estarás comigo no Paraíso». Sempre redime a dor do outro, porque faz-nos sair de nós mesmos.

«Mulher, eis aí o teu filho!» (Jo 19, 26). Trata-se de sua Mãe, Maria, que se encontrava, juntamente com João, ao pé da cruz para afastar o pavor. Enche-o de ternura e de esperança. Jesus já não Se sente sozinho. Como sucede connosco, quando, junto ao leito do sofrimento, temos quem nos ame! Fielmente. Até ao fim.

«Tenho sede» (Jo 19, 28). Como a criança pede de beber à mãe; como faz o doente ardendo de febre... A de Jesus é a sede de todos os sedentos de vida, de liberdade, de justiça. E é a sede do maior sedento – Deus –, o Qual, infinitamente mais do que nós, tem sede da nossa salvação.

«Está consumado!» (Jo 19, 30). Tudo: cada palavra, cada gesto, cada profecia, cada instante da vida de Jesus. A tapeçaria está completa. As mil e uma cores do amor agora reluzem de beleza. Nada se perdeu. Nada foi desperdiçado. Tudo se tornou amor. Tudo consumado para mim e para ti! E, então, o próprio morrer tem um sentido.

«Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). Agora, heroicamente, Jesus sai do pavor da morte. Porque, se vivemos no amor gratuito, tudo é vida. O perdão renova, cura, transforma e consola! Cria um povo novo. Põe fim às guerras.

«Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23, 46). Já não há o desespero do nada. Mas confiança plena nas suas mãos de Pai, reclinando-Se no seu coração. Porque, em Deus, cada fracção se compõe, finalmente, em unidade!
==========
ORAÇÃO
Ó Deus, que, na paixão de Cristo nosso Senhor,
nos libertastes da morte, legado do antigo pecado,
transmitido a todo o género humano,
renovai-nos à imagem do vosso Filho;
e, assim como levamos em nós, pelo nosso nascimento,
a imagem do homem terrestre,
assim também, pela acção do vosso Espírito,
fazei que levemos a imagem do homem celeste.
Por Cristo nosso Senhor. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Vidit suum dulcem Natum
moriendo desolatum,
dum emisit spiritum.

XIII ESTAÇÃO
Jesus é descido da Cruz
O amor é mais forte do que a morte


V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. e as mãos abertas,
ofereceis ao Pai, em sinal de oferenda sacerdotal,
a vítima redentora do vosso Filho Jesus.
Revelai-nos a doçura daquele último fiel abraço
e dai-nos a vossa consolação materna,
para que o sofrimento do dia a dia
nunca interrompa a esperança da vida para além da morte. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Fac me tecum pie flere,
Crucifixo condolere,
donec ego vixero.

XIV ESTAÇÃO
Jesus é depositado no sepulcro
O jardim novo




V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho segundo São João 19, 41-42

«No sítio em que Ele tinha sido crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. (…) Foi ali que puseram Jesus».

Aquele jardim no qual se encontra o túmulo onde Jesus é sepultado, lembra outro jardim: o do Éden. Um jardim que, por causa da desobediência, perdeu a sua beleza e tornou-se uma desolação, lugar de morte e já não de vida.

Os ramos selvagens que nos impedem de respirar a vontade de Deus, como o apego ao dinheiro, à soberba, ao desperdício da vida, devem ser cortados e enxertados agora no madeiro da Cruz. É este o novo jardim: a cruz plantada na terra!

Agora, de lá de cima, Jesus poderá voltar a trazer tudo à vida. Uma vez regressado dos abismos infernais, onde Satanás encerrou um grande número de almas, terá início a renovação de todas as coisas. Aquele sepulcro representa o fim do homem velho. E também para nós, como fez para Jesus, Deus não permitiu que os seus filhos fossem castigados pela morte definitiva.

Na morte de Cristo, ruíram todos os tronos do mal, fundados sobre a ganância e a dureza do coração. A morte desarma-nos, faz-nos compreender que estamos sujeitos a uma existência terrena que tem um termo. Mas é diante daquele corpo de Jesus, depositado no sepulcro, que tomamos consciência de quem somos: criaturas que, para não morrer, precisam do seu Criador.

O silêncio que envolve aquele jardim permite-nos ouvir o sussurro de uma brisa suave: «Eu sou o Vivente, e estou convosco» (cf. Ex 3, 14). O véu do templo rasgou-se. Finalmente vemos o rosto de nosso Senhor. E conhecemos em plenitude o seu nome: misericórdia e fidelidade, para nunca mais ficarmos confundidos, nem mesmo diante da morte, porque o Filho de Deus caminha livre no meio dos mortos (cf. Sal 88, 6 Vulg.).
==========
ORAÇÃO
Protegei-me, ó Deus! Em Vós me refugio.
Vós sois a minha parte de herança e o meu cálice,
nas vossas mãos está a minha vida.
Tenho-Vos sempre diante dos olhos, como meu Senhor,
estais à minha direita, não poderei vacilar.
Por isso, se alegra o meu coração e exulta a minha alma,
e também o meu corpo repousa em segurança.
Não abandoneis a minha vida na morada dos mortos
nem deixeis que o vosso servo conheça a sepultura.
Mostrar-me-eis o caminho da vida,
alegria plena na vossa presença,
doçura sem fim à vossa direita. Amen.
(cf. Salmo 15).

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.
Quando corpus morietur,
fac ut animæ donetur
Paradisi gloria.
Amen.

ALOCUÇÃO DO SANTO PADRE
E BÊNÇÃO APOSTÓLICA

O Santo Padre dirige a palavra aos presentes.
No final da alocução, o Santo Padre dá a Bênção Apostólica:

V/.   Dominus vobiscum. 
R/.
   Et cum spiritu tuo.
V/.
   Sit nomen Domini benedictum. 
R/.
   Ex hoc nunc et usque in sæculum.
V/.
   Adiutorium nostrum in nomine Domini. 
R/.
   Qui fecit cælum et terram.
V/.
   Benedicat vos omnipotens Deus,
      Pater et Filius et Spiritus Sanctus.
R./
   Amen.
Crux fidelis

Schola cantorum

R. Crux fidelis, inter omnes arbor una nobilis,
nulla silva talem profert, fronde, flore, germine!
Dulce lignum, dulces clavos, dulce pondus sustinet.
1. Pange, lingua, gloriosi prœlium certaminis,
et super crucis tropæo dic triumphum nobilem,
qualiter Redemptor orbis immolatus vicerit. R.
2. De parentis protoplasti fraude factor condolens,
quando pomi noxialis morte morsu corruit,
ipse lignum tunc notavit, damna ligni ut solveret. R.

© Copyright 2014 - Libreria Editrice Vaticana

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O que significa a Sexta-feira da Paixão do Senhor?



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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Novos Santos Franciscanos: Ludovico da Casoria e Amato Ronconi


[news.va] O Papa Francisco recebeu nesta terça-feira, 15, à tarde o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, tendo aprovado quatro Decretos: dois sobre o reconhecimento de milagres atribuídos a dois religiosos italianos e outros dois reconhecendo as virtudes heróicas de um religioso francês e de outro austríaco.


No primeiro caso, trata-se: do Beato Ludovico da Casoria, Frade Franciscano, fundador das Irmãs Franciscanas Elisabetinas, que faleceu em Nápoles em 1885; e do Beato Amato Ronconi, Terciário Franciscano, fundador de um hospício para peregrinos pobres, que viveu no século XIII.


Os decretos relativos ao reconhecimento de virtudes heróicas, dizem respeito ao Servo de Deus Alano Guynor de Boismenu, da Congregação dos Missionários do Sacratíssimo Coração de Jesus, que foi arcebispo e Vigário Apostólico na Papuásia-Nova Guiné, tendo falecido em 1953 nas Ilhas Fiji, na Oceânia; e do Servo de Deus Guilherme Janauscheck, padre redentorista, austríaco, falecido em 1926. T


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Nomeações de Bispos Franciscanos: Bispo de Osasco - São Paulo (Brasil) e Bispo de Terni-Narni-Amelia (Itália)


Hoje, 16 de abril, o Cardeal Prefeito da Congregação para os Bispos, comunicou ao Ministro Geral que o Santo Padre o Papa Francisco nomeou como Bispo de Terni-Narni-Amelia (Itália) o Reverendíssimo Frei Giuseppe Piemontese, OFMConv., antigo Custódio do Sacro Convento de Assis.
Me compraz a confiança que o Santo Padre põe, com este gesto, em suas relações com a vossa Ordem dos Frades Menores Conventuais, à qual, em nome da Congregação dos Bispos, apresento um agradecimento vivo por ter enriquecido com um membro da mesma a hierarquia da Igreja na Itália.
A ocasião é, para mim, particularmente agradável, pelo que lhe expresso meus melhores desejos de uma feliz e santa Páscoa. Lhe asseguro minhas orações para que as vocações na Ordem floresçam cada vez mais abundantes...". (+ Marc Cardeal Ouellet).
Frei Giuseppe Piemontese pertence à Província OFMConv. dos Santos Nicolás e Ángel, na Pulla, Itália. Nasceu em Monte Sant’Angelo (Foggia, Itália) em 24 de abril de 1946; fez a profissão temporária em 8 de setembro de 1963, a solene em 8 de outubro de 1967, ordenado sacerdote em 5 de abril de 1971. Entre outros cargos, foi Ministro Provincial da sua Província, de 1997 até 2009, ano em que foi chamado para servir como Custódio do Sacro Convento de Assis. Desde o último ano era Definidor provincial e Guardião do Convento de Cupertino (Lecce, Itália).T

Fonte: OFMConv. | Trad. Adapt. Cleiton Robsonn.

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O Santo Padre o Papa Francisco nomeou hoje, 16 de Abril, como Bispo da diocese de Osasco (SP), Dom Frei João Bosco Barbosa de Sousa, OFM, transferindo-o da sede episcopal de União da Vitória (PR).

Dom Frei João Bosco Barbosa de Sousa é natural de Guaratinguetá (SP), membro da Ordem dos Frades Menores (OFM). Foi nomeado bispo em 03 de janeiro de 2007, sendo ordenado no dia 23 de março do mesmo ano. É bispo de União da Vitória desde 30 de março de 2007. O lema “Cristo nossa vitória” conduz a missão episcopal de dom João Bosco que atualmente é presidente do Regional Sul 2 da CNBB.

Com formação em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e Comunicação Social pela União Católica Internacional de Imprensa, dom João Bosco dedica-se aos trabalhos da Pastoral da Comunicação, com experiências em mídias audiovisuais, rádio e televisão. Em 2013, integrou a comissão do texto base da 51ª Assembleia Geral da CNBB. T

Fonte: CNBB.



O Cristo Pobre e Crucificado


Por Frei Celso Texeira, OFMCap.

Qual é o Cristo que Francisco pretende seguir? Em outras palavras, a nossa atenção se volta para a visão ou imagem que Francisco tem de Cristo.

Até a época de Francisco, o aspecto que mais sobressaía era o do Cristo Rei e Senhor. Até a iconografia apresentava Cristo como glorioso, como aquele que ressuscitou e que agora reina eternamente à direita de Deus Pai. O Cristo crucificado, por exemplo, não era apresentado como alguém que sofre, mas, antes, como alguém que, apesar de estar pregado na cruz, reina soberanamente sobre o mundo. Basta conferir os ícones de Cristo crucificado de origem bizantina, ícones que tiveram muita aceitação e imitação na arte da Igreja latina.

O Crucifixo, conhecido como Crucifixo de São Damião. O Crucifixo de São Damião foi pintado no século XII por um desconhecido artista da Úmbria, região da Itália. A pintura é de estilo romântico, sob clara influência oriental: o pedestal sobre o qual estão os pés de Cristo pregados separadamente; e de influência siríaca: a barba de Cristo; a face circundada pelo emoldurado dos cabelos; a presença dos anjos e cruz com a longa haste segurada na mão, por Cristo (só visível na pintura original), no alto, encimando a cruz. 

O Crucifixo original de São Damião está guardado com grande zelo pelas irmãs Clarissas, na Basílica de Santa Clara de Assis, e é visitado por estudiosos, devotos e turistas do mundo todo. É um monumento histórico franciscano e universal, por exemplo, diante do qual Francisco rezava, apresenta o Cristo pregado na cruz sem dor, sem sofrimento, espelhando mais a teologia do Cristo glorioso e eterno. O aspecto acentuado era, portanto, o de Cristo como Deus, embora não se negasse o aspecto de Cristo como homem.
"A paixão de Cristo será sempre objeto de meditação por parte de Francisco, por ser o sofrimento a realidade que mais revela até que ponto Cristo assumiu a nossa humanidade. Mesmo a Eucaristia é vista como um prolongamento da encarnação do Filho de Deus: como o Filho de Deus se encarnou no útero de Maria, assim ele se encarna cada dia nas mãos do sacerdote sobre o altar, na celebração eucarística"
São Bernardo de Claraval, que viveu no século anterior a São Francisco (* 1090 ou 1091; + 1153), já chamava a atenção para a humanidade de Cristo. Mas foi Francisco que deu uma reviravolta na piedade e na devoção popular, trazendo o Cristo da eternidade para a nossa história. Sem negar em momento algum que o Cristo era Deus, o Filho de Deus, pelo contrário, em seus escritos, afirma-se várias vezes essa verdade, Francisco quer seguir a Cristo em sua humanidade e historicidade. Ele pretende chamar a atenção exatamente para o Cristo homem, o Verbo Encarnado. Daí toda uma reflexão e acentuação da encarnação do Filho de Deus.

Para contemplar, com mais realismo, a encarnação do Filho de Deus, faz encenar o nascimento de Cristo na pobreza de um presépio. A especial veneração pela Virgem Maria está intimamente ligada ao fato da encarnação: foi do útero de Maria que o Filho de Deus "assumiu a carne de nossa humanidade e fragilidade" (cf. 2Fi 4). A paixão de Cristo será sempre objeto de meditação por parte de Francisco, por ser o sofrimento a realidade que mais revela até que ponto Cristo assumiu a nossa humanidade. Mesmo a Eucaristia é vista como um prolongamento da encarnação do Filho de Deus: como o Filho de Deus se encarnou no útero de Maria, assim ele se encarna cada dia nas mãos do sacerdote sobre o altar, na celebração eucarística (cf. Ad 1).

A encarnação comove-o. Conta Celano que, estando na hora da refeição, lembra-se da pobreza da encarnação. Deita o prato no chão e põe-se a chorar (cf. 2Cel 200). A meditação da paixão de Cristo, igualmente. Os biógrafos narram o seguinte episódio: certa vez, estando num bosque a meditar sobre a paixão de Cristo, começa a chorar. Um antigo amigo, ao vê-lo a chorar, pergunta se está doente ou sentindo alguma dor. Francisco responde que chora a paixão de seu Senhor. O amigo, comovendo-se com a dor de Francisco, começa também a chorar.

É a partir dessa piedade para com a humanidade de Cristo que a devoção pelo presépio se estende a praticamente toda a cristandade. E é a partir da meditação sobre a paixão do Senhor que, mais tarde, Frei Leonardo do Porto Maurício e os franciscanos alcantarinos formularão a conhecida via-sacra, devoção que tem seu valor até os dias de hoje.

Portanto, o acento que Francisco dá à sua visão do Cristo cai sobre a encarnação, sobre a humanidade do Filho de Deus. Esta será sempre uma tônica na sua contemplação de Cristo. Interrogado certa vez, já próximo de sua morte, se queria que lhe fosse lida a Sagrada Escritura, ele respondeu que não era mais necessário, pois já havia encontrado o Cristo crucificado (cf. 2Cel 105), isto é, o Cristo mais identificado com a natureza humana.

A consideração do Filho encarnado - da humanidade de Cristo - traz como corolário uma concepção encarnada, concreta, histórica, não abstrata de espiritualidade.

Por isso, quando ele fala de viver o Evangelho, ou de vida evangélica, não faz abstrações. Pensa em termos concretos de viver, aqui e agora, como Cristo viveu, como Cristo ensinou, como Cristo mandou. T

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