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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Nomeação de Bispo Franciscano - Bispo de Ales-Terralba (Itália)


O Santo Padre, Papa Francisco, nomeou nesta Quarta-feira de Cinzas, 10 de Fevereiro, o Revmº. Frei Roberto Carboni, OFMConv., como Bispo de Ales-Terralba (Sardenha, Itália). O Bispo eleito nasceu em 12 de outubro de 1958 em Scano Montiferro, província de Oristano e diocese de Alghero-Bosa.

Acolhido primeiramente no Seminário Seráfico dos Frades Menores Conventuais de Sassari, passou em seguida, ao Colégio Seráfico São Francisco, em Oristano, onde ficou até o final da sua adolescência.

Em 1977 iniciou o noviciado no Convento da Basílica do Santo, em Pádua e em 1978 emitiu os primeiros votos. Estudou Filosofia no Seminário São Máximo, Doutor, em Pádua e a Teologia na Faculdade Teológica São Boaventura em Roma.

No dia 27 de junho de 1982, emitiu a profissão perpétua. Foi ordenado presbítero em 29 de setembro de 1984.

Após a ordenação sacerdotal prosseguiu os estudos em Roma, obtendo, em 1986, a Licenciatura em Psicologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Desde 1989 está inscrito no rol dos psicólogos e psicoterapeutas da Sardenha. Foi colaborado da Revista Fraternità, da qual se tornou diretor, e, mais tarde, jornalista e articulista inscrito entre os jornalistas da Sardenha desde 1997.

Os encargos pastorais mais significativos foram: de 1985 a 1992 Diretor espiritual do Centro nacional de orientação vocacional no Sacro Convento de Assis (postulantado franciscano); de 1991 a 1993, Docente de Psicologia no Instituto Teológico de Assis; de 1993 a 1994 Vigário paroquial na paróquia de São Francisco de Assis em Cagliari; de 1994 a 1999 Reitor do Postulantado franciscano no Colégio São Francisco de Oristano; de 1994 a 2001 foi Secretário, Vigário provincial,  e Docente de Psicologia na Pontifícia Faculdade Teológica da Sardenha.

De 2001 a 2013 foi Missionário em Cuba com os frades da província das Marcas. Em terra cubana, foi Diretor espiritual do Seminário Interdiocesano, Docente de Psicologia e Reitor do Postulantado, e também Reitor da igreja de São Francisco em Havana.

Desde 2013 até o presente era Secretário Geral para a Formação da Ordem dos Frades Menores Conventuais, em Roma. T

Trad. Adapt.: Cleiton Robsonn.





segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Nomeação de Franciscano: Bispo de Xingu, Pará (Brasil)


O Santo Padre Francisco nomeou no último dia 23 de Dezembro de 2015 o Reverendíssimo Frei João Muniz Alves, OFM, como Bispo Prelado de Xingu (Pará), no Brasil. 

Frei João nasceu dia 8 de janeiro de 1961, em Santa Rita no Maranhão (MA). Foi ordenado sacerdote em 4 de setembro de 1993. Entre suas formações acadêmicas, é graduado em Teologia e Filosofia pelo Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí (ICESPI); mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Lateranense (PUL), em Roma; mestre em Filosofia pelo Pontificium Athenaeum Antonianum (PUA), em Roma, e doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Lateranense (PUL), em Roma.

De 1993 a 1994, frei João Muniz realizou seus trabalhos como vigário paroquial da paróquia São José em Lago da Pedra (MA). De 1995 a 1998, exerceu a função de pároco da paróquia São Francisco das Chagas em Bacabal (MA).

Entre 1995 e 2001, foi promotor da Pastoral Vocacional da Província; mestre e guardião do Postulantado e membro do Conselho Presbiteral e do Colégio dos Consultores da diocese de Bacabal. De 2007 a 2013 exerceu a função de Ministro Provincial da província Franciscana Nossa Senhora da Assunção, no Maranhão e no Piauí. Já em 2014 exerceu o posto de Visitador Geral na Custódia autônoma Santa Clara de Assis em Moçambique, na África.

Atualmente, João Muniz é professor de Teologia Moral no Instituto de Estudos Superiores no Maranhão (Iesma), vigário paroquial na Fraternidade Franciscana de Nossa Senhora da Glória em São Luís (MA) e guardião e formador de estudantes de Filosofia e Teologia. T

Fonte: Canção Nova.



sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

01 de Janeiro: Maria Santíssima Mãe de Deus


Iniciamos o ano civil com a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus (Theotókos). Esta comemoração ocorre dentro das festividades de Natal, na oitava de Natal (oito dias depois da Natividade, primeiro dia do ano novo), para relembrarmos o nascimento de Jesus, o Filho de Deus.

De acordo com a tradição católica, é a primeira Festa Mariana da Igreja Ocidental e começou a ser celebrada em Roma no século VI, possivelmente junto com a dedicação do templo, no dia 1º de Janeiro, a “Santa Maria Antiga” no Foro Romano, uma das primeiras igrejas marianas de Roma. Desta forma, esta Festa Mariana encontra seu marco litúrgico no Natal e ao mesmo tempo em que todos os católicos começam o ano novo pedindo a proteção da Santíssima Virgem Maria.

Destaca-se nesta solenidade o foco da liturgia que é a “Mulher”, particularmente a mulher como “Mãe”. E essa mulher e mãe é Maria Santíssima. São Paulo em sua carta aos Gálatas 4,4 diz de Jesus: “… mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a lei”, para indicar que, como um homem de Deus, necessariamente, tinha que ter uma mãe. Deus se fez carne por meio de Maria. É a grande demonstração de um Deus que nos amou e assumiu nossa humanidade, exceto o pecado. Aqui podemos observar que Maria aparece ligada ao mistério central da reconciliação. Esse relacionamento único é trazido com particular importância no momento da chegada de Deus na história humana através da cooperação livre da Mulher, que é a Virgem Maria. Ela é o ponto de união entre o céu e a Terra. Dessa forma, Maria nos une a Deus e às pessoas, os homens e as mulheres de boa vontade.

Mulher e Mãe de Deus é Maria, a nova Eva, origem e espelho de toda a mulher redimida.

A Virgem Maria é o exemplo da dignidade de todas as mulheres e mães. Ela é o modelo e o caminho a seguir.

Ao celebrar o mistério da Maternidade Divina de Maria, a Igreja Católica A reconhece também como sua Mãe, pois ao longo dos tempos gera novos filhos para Deus.

A Maternidade Divina: dogma solenemente proclamado pelo Concílio de Éfeso (431 d.C.) e tempos depois, proclamado por outros Concílios universais, o de Calcedônia e os de Constantinopla. Refere-se à Virgem Maria como a verdadeira Mãe de Deus (“Theotokos”) ou seja, Maria é Mãe de Jesus – O Verbo Divino em suas duas naturezas (humana e divina). Nesse contexto, cabe ressaltar que Maria ocupa um lugar único e privilegiado em nossa história. Após o seu “fiat”, na anunciação do anjo Gabriel, recebe de Deus Pai, pela força do Espírito Santo, Aquele que é o princípio meio e fim de toda a humanidade. No que se refere à economia da salvação, a Virgem Maria, contribui para nos tornarmos filhos de Deus, conforme a Carta encíclica Redemptoris Mater:

“A MÃE DO REDENTOR tem um lugar bem preciso no plano da salvação, porque, “ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido duma mulher, nascido sob a Lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos à Lei e para que nós recebêssemos a adoção de filhos. E porque vós sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: “Abbá! Pai!” (Gál 4, 4-6).”

De acordo com o Concílio Vaticano II:
“Desde os tempos mais remotos, a Bem-Aventurada Virgem é honrada com o título de Mãe de Deus, a cujo amparo os fiéis acodem com suas súplicas em todos os seus perigos e necessidades”. (Constituição Dogmática Lumen Gentium, 66)
Ao proclamarmos a Beatíssima Virgem Maria com a Mãe de Deus, afirmamos que o Reino de Deus já está no meio de nós, pois o dogma da maternidade divina assevera que o próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo, entrou na história humana.

A comemoração da Virgem Maria, neste primeiro dia do ano, soma-se ao Dia Universal da Paz. Ninguém mais poderia encarnar os ideais de paz, amor e solidariedade do que Maria Santíssima. Ela que foi o terreno onde Deus fecundou seu amor pelos filhos e de cujo ventre nasceu Aquele que personificou a união entre os homens e o amor ao próximo, o Cristo. Celebrar Maria é celebrar O nosso Salvador.

Com Maria Santíssima, aprendamos a contemplar e bendizer a Deus com o seu Magnificat. Voltemo-nos para Maria que festejamos hoje. Maria, nosso modelo e nossa Mãe, que mesmo sem compreender, Maria tinha confiança no Senhor.

Maria Santíssima, Mãe de Deus e dos homens, rogai por nós! T

Por: Rita de Sá Freire, OESSJ.



quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

"Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria!"


Tudo o que se diz de nosso Senhor Jesus Cristo, se diz de Sua Mãe Maria Santíssima. Seus títulos são referências a Seu Divino Filho. Ela é Virgem antes, durante e depois do parto: é o que representam as três estrelas (nos ombros e na testa) contidas em vários ícones d’Ela. Deus a preservou de toda mancha de pecado, para que fosse o Sacrário vivo no qual o Filho pudesse habitar. Por isso, Ela é: Santa (porque Deus é Santo), Mãe (porque Deus é Filho), Virgem (porque concebeu por obra e graça do Espírito Santo) e Rainha (porque Jesus é Rei). Daí, como São Bernardo, podermos dizer:

“Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, 
que nunca se ouviu dizer
que algum daqueles
que têm recorrido à vossa proteção,
implorado a vossa assistência,
e reclamado o vosso socorro,
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, de igual confiança,
a Vós, Virgem entre todas singular,
como a Mãe recorro,
de Vós me valho e,
gemendo sob o peso dos meus pecados,
me prostro aos Vossos pés.
Não desprezeis as minhas súplicas,
ó Mãe do Filho de Deus humanado,
mas dignai-Vos
de as ouvir propícia
e de me alcançar o que Vos rogo. Amém.”

O resumo das invocações para o primeiro dia do ano está contido nas quatro primeiras partes da Ladainha de Nossa Senhora. A Sua relação com a Santíssima Trindade é o que torna clara cada invocação, pois, É JESUS o Santo, o Filho, o Virgem, a Divina Graça, o Puríssimo, o Castíssimo, o Intacto, o Intemerato, o Amável, o Admirável, o Bom Conselho, o Criador, o Salvador, o Prudentíssimo, o Venerável, o Louvável, o Poderoso, o Benigno, o Fiel, a Justiça, a Sabedoria, a Alegria, a Paz!

Santa Maria!
Santa Mãe de Deus!
Santa Virgem das virgens!
Mãe de Jesus Cristo!
Mãe da Divina Graça!
Mãe Puríssima!
Mãe Castíssima!
Mãe Intacta!
Mãe Intemerata!
Mãe Amável!
Mãe Admirável!
Mãe do Bom Conselho!
Mãe do Criador!
Mãe do Salvador!
Virgem Prudentíssima!
Virgem Venerável!
Virgem Louvável!
Virgem Poderosa!
Virgem Benigna!
Virgem Fiel!
Espelho de Justiça!
Sede da Sabedoria!
Causa de nossa Alegria!

Vaso espiritual!
Vaso honorífico!
Vaso insigne de devoção!
Rosa mística!
Torre de Davi!
Torre de marfim!
Casa de ouro!
Arca da aliança!
Porta do Céu!
Estrela da manhã!
Saúde dos enfermos!
Refúgio dos pecadores!
Consoladora dos aflitos!
Auxílio dos cristãos!
Rainha dos Anjos!
Rainha dos Patriarcas!
Rainha dos Profetas!
Rainha dos Apóstolos!
Rainha dos Mártires!
Rainha dos Confessores!
Rainha das Virgens!
Rainha de todos os Santos!
Rainha concebida sem pecado original!
Rainha assunta ao Céu!
Rainha do santo rosário!
Rainha da Paz!

T

domingo, 20 de dezembro de 2015

Homilia do 4º Domingo do Advento, por Pe. Paulo Ricardo



Quem acolhe Maria, acolhe a graça de Cristo

Às portas da festa da natividade de Cristo, a liturgia da Igreja se volta para a figura de Maria Santíssima e proclama o Evangelho da Visitação. Como Santa Isabel, todos os fiéis são chamados a acolher a Virgem da Doce Espera não só em suas casas, mas na intimidade de seus corações.

O Autor Sagrado conta que, "quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo" (v. 41). Esse "pulo de alegria" de São João Batista é visto pelos Santos Padres como o momento da santificação do profeta, o primeiro milagre operado por Nosso Senhor na ordem da graça. A efusão do Espírito que Isabel experimenta, por sua vez, fá-la ver em Maria a mãe do seu Senhor, sendo ela a primeira a reconhecer a maternidade divina de Nossa Senhora.

De fato, a sua inflamada profissão de fé – "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!" (v. 42) –, que repetimos na oração da Ave-Maria, não podia ter sido senão fruto da ação do Espírito Santo. Por isso, a Visitação pode ser propriamente chamada de uma antecipação de Pentecostes. Aos que acusam a devoção à Virgem Santíssima de idolatria, cabe explicar como palavras tão belas dirigidas a Nossa Senhora podem estar nas Escrituras e se associar tão intimamente à ação divina. Aos que têm escrúpulos de venerar Maria, cabe abrir os olhos da alma e finalmente reconhecer a sua importância no mistério da Redenção, prestando a honra que lhe é devida como mãe de Deus e nossa mãe.

Mais do que isso, quem quer que se ponha à espera do nascimento de Cristo precisa receber Maria "naquilo que é seu", à semelhança do discípulo amado, feito filho de Nossa Senhora pelo próprio Senhor (cf. Jo 19, 27). Ainda hoje, é por meio dela que a graça de Deus vem ao mundo. Ela é a causa instrumental por excelência da nossa salvação, porque traz aos homens a humanidade do Redentor.

Que o nosso amor a ela afaste todo temor e todo escrúpulo vão. Ela é o caminho que nos leva a Jesus. Não tenhamos medo de ser devotos de Nossa Senhora! T


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

8 de Dezembro: Imaculada Conceição da Beatíssima Virgem Maria


Estamos diante de um mistério. Ou seja: diante de um fato que nossa inteligência, por ser conhecidamente limitada, não consegue abranger nem explicar por inteiro. O mistério não contradiz a razão humana, mas a excede.


O privilégio da Imaculada Conceição não se refere ao fato de Maria de Nazaré ter sido virgem antes, durante e depois do parto de Jesus. Não se refere ao fato de ter ela concebido o filho sem o concurso de homem, mas por obra e graça do Espírito Santo. Não se refere ao fato de Maria não ter cometido nenhum dos pecados que nós costumamos fazer, confessar e nos esforçamos por evitar. Refere-se ao fato de Deus havê-la preservado da mancha com que todas as criaturas humanas nascem, mancha herdada do pecado cometido por Adão e Eva. A teologia chama esta mancha de “pecado original”. Original, não porque nascemos como fruto de um ato sexual. Mas original, porque se refere à origem de toda a humanidade, ou seja, aos nossos primeiros pais, que a Bíblia chama de Adão e Eva.

A Sagrada Escritura ensina-nos que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Não o fez por necessidade, mas num gratuito gesto de amor. Criado por amor, o ser humano estava destinado a uma plena e eterna comunhão com Deus. Comunhão tão íntima e divina, que o próprio Filho de Deus dela poderia participar sem nenhuma diminuição de sua divindade.

Ora, para o Filho de Deus encarnar-se, Deus havia escolhido desde sempre uma mulher e a havia imaginado santíssima, ou seja, adornada com todas as qualidades e belezas do próprio Deus. Para Deus, imaginação e criação é a mesma coisa.

Aconteceu, no entanto, o grande transtorno: nossos primeiros pais, apesar de feitos à imagem e semelhança de Deus, eram criaturas e como criaturas dependiam do Criador. Sua liberdade era a plenitude da liberdade como criaturas. Adão e Eva pecaram, querendo passar da liberdade e santidade de criaturas à liberdade e santidade do Criador, ou seja, quiseram igualar-se a Deus. Pecado de orgulho. Um pecado de desobediência à condição de criaturas, querendo a condição do Criador. Eles quiseram “ser como Deus” (Gn 3,5). Eles quiseram comportar-se como Deus e não como criaturas de Deus.

A Sagrada Escritura fala das consequências dramáticas dessa prepotência dos nossos primeiros pais: embora mantendo a dignidade de imagem e semelhança de Deus, perderam, como diz São Paulo “a graça da santidade original” (Rm 3,23), passaram a ter medo de Deus, perderam o equilíbrio de criaturas, ou seja, foram tomados pelas más inclinações e passaram a sentir em sua consciência a desarmonia e a tensão entre o bem e o mal e a experiência da terrível necessidade de optar entre um e outro, e “a morte entrou na história da humanidade” (Rm 5,12).

Ora, os planos de Deus, ainda que as criaturas os desviem ou quebrem ou não os queiram, acabam se realizando.

Aquela mulher imaginada (criada) por Deus antes do paraíso terrestre, para ser a Mãe do Filho em carne humana, estava isenta do pecado de Adão e Eva. Há, porém, uma verdade de fé professada pela Igreja, que ensina que todas as criaturas humanas são redimidas, sem exceção, exclusivamente pelos méritos de Jesus Cristo. Ora, Maria é uma criatura e não uma deusa. Por isso, também ela deveria ter sido redimida por Jesus.

Os teólogos discutiram durante séculos sobre como Maria poderia ter sido remida. Nunca, nenhum santo Padre duvidou da santidade de Maria, de sua vida puríssima, de seu coração inteiramente voltado para Deus, ou seja, de ser uma mulher “cheia de graça” (Lc 1,28). Mas, ainda que a pudessem imaginar imaculada, havia teólogos que não conseguiam argumentos teológicos suficientes para crê-la isenta do pecado original. Um deles, por exemplo, foi São Bernardo, autor de belíssimos textos sobre Nossa Senhora, insuperável na descrição da maternidade divina de Maria.

Entre os teólogos favoráveis à imaculada conceição de Maria devemos mencionar o Bem-aventurado João Duns Scotus, que argumentava assim: Deus podia criá-la sem mancha, porque a Deus nada é impossível (Lc 1,37); convinha que Deus a criasse sem mancha, porque ela estava predestinada a ser a Mãe do Filho de Deus e, portanto, ter todas as qualidades que não obnubilassem o filho; se Deus podia, se convinha, Deus a criou isenta do pecado original, ou seja, imaculada antes, durante e depois de sua conceição no seio de sua mãe.

Em 1615 encontramos o povo de Sevilha, na Espanha, cantando pelas ruas alguns versos, derivados do argumento de Duns Scotus: “Quis e não pôde? Não é Deus / Pôde e não quis? Não é Filho. / Digam, pois, que pôde e quis”.

Também os artistas entraram na procissão dos que louvavam e difundiam a devoção à Imaculada. Nenhum foi tão feliz quanto o espanhol Murillo, falecido em 1682. A ele se atribuem 41 diferentes quadros da Imaculada, inconfundíveis, sempre a Virgem em atitude de assunta, cercada de anjos, a meia lua sob os pés, lembrando de perto a mulher descrita pelo Apocalipse: “revestida de sol, com a lua debaixo dos pés” (Ap 12,1). A lua, por variar tanto, é símbolo da instabilidade humana e das coisas passageiras. Maria foi sempre a mesma, sem nenhum pecado.

“No entanto, escreve o Santo Padre Pio IX, era absolutamente justo que, como tinha um Pai no céu, que os Serafins exaltam como três vezes santo, o Unigênito tivesse também uma Mãe na terra, em quem jamais faltasse o esplendor da santidade. Com efeito, essa doutrina se apossou de tal forma dos corações e da inteligência dos nossos antepassados, que deles se fez ouvir uma singular e maravilhosa linguagem. Muitas vezes se dirigiram à Mãe de Deus como a toda santa, a inocentíssima, a mais pura, santa e alheia a toda mancha de pecado, … mais formosa que a beleza, mais amável que o encanto, mais santa que a santidade, … a sede única das graças do Santíssimo Espírito, sendo, à exceção de Deus, a mais excelente de todos os homens, por natureza, e até mesmo mais que os próprios querubins e serafins. E para a decantarem os céus e a terra não acham palavras que lhes bastem” (Ineffabilis Dei, 31).

No dia 8 de dezembro de 1854, o bem-aventurado Papa Pio IX declarou verdade de fé a conceição imaculada de Maria. O dogma soa assim: “Pela inspiração do Espírito Santo Paráclito, para honra da santa e indivisa Trindade, para glória e adorno da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica e para a propagação da religião católica, com a autoridade de Jesus Cristo, Senhor nosso, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e nossa, declaramos, promulgamos e definimos que a Bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, foi preservada de toda mancha de pecado original, por singular graça e privilégio do Deus Onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador dos homens, e que esta doutrina está contida na Revelação Divina, devendo, portanto, ser crida firme e para sempre por todos os fiéis” (Ineffabilis Deus, 42).

Mas a devoção à Imaculada é muito antiga. Basta lembrar que a festa é conhecida já no século VIII. Desde 1263, a Ordem Franciscana celebrou com muita solenidade a Imaculada Conceição, no dia 8 de dezembro de cada ano e costumava cantar a Missa em sua honra aos sábados. Em 1476, o Papa Xisto IV colocou a festa no calendário litúrgico da Igreja. Em 1484, Santa Beatriz da Silva, filha de pais portugueses, fundou uma Ordem contemplativa de mulheres, conhecidas como Irmãs Concepcionistas, para venerar especialmente e difundir o privilégio mariano da Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus.

Desde a proclamação do dogma, a festa da Imaculada Conceição passou a ser dia santo de preceito. Em Roma, na Praça Espanha, para perenizar publicamente a declaração do dogma, levantou-se uma belíssima e trabalhada coluna encimada pela estátua da Imaculada Conceição. Todos os anos, no dia 8 de dezembro à tarde, o Papa costuma ir à Praça e com o povo romano e os peregrinos reverenciar o privilégio da imaculada conceição da santíssima Virgem, privilégio que deriva de seu título maior: ser a Mãe do Filho de Deus Salvador.

Nem quatro anos depois de proclamado o dogma, em Lourdes, na França, à menina Bernardete, simples e analfabeta, que perguntava insistentemente à visão quem era ela, recebeu como resposta, cercada de terníssimo sorriso: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Não podemos esquecer de que a imagem de Nossa Senhora Aparecida é uma Imaculada Conceição e por isso mesmo seu título oficial é Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Como é bonito, piedoso e comovente escutar o povo brasileiro cantando uníssono: "Viva a Mãe de Deus e nossa / sem pecado concebida! / salve, Virgem Imaculada, / ó Senhora Aparecida!" T




segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Beatificação de Franciscanos, Mártires no Peru


Na manhã do dia 5 de Dezembro de 2015, no Estádio de Chimbote, Peru, o Cardeal Angelo Amato, em nome do Papa Francisco, declarou Bem-aventurados os Freis Zbigniew Strzałkowski e Miguel Tomaszek, mortos pelos guerrilheiros do grupo Sendero Luminoso no dia 9 de Agosto de 1991, e ao sacerdote diocesano, fidei donum, Alejandro Dordi, morto pelos mesmos guerrilheiros, no dia 25 do mesmo mês.

Estiveram presentes 60 Bispos, mais de 500 sacerdotes do Peru, Polônia, Itália, Brasil, e quase 25 mil fiéis na Santa Missa. T

Por: Frei Angelo Paleri, Postulador Geral OFMConv.

Entrada das Relíquias dos novos Beatos
 



Pronunciamento do Ministro Geral OFMConv., Frei Marco Tasca



domingo, 6 de dezembro de 2015

Homilia do 2º Domingo do Advento, por Pe. Paulo Ricardo



Preparação para a Confissão

São João Batista "percorreu toda a região do Jordão, pregando (κηρύσσων) um batismo de conversão para o perdão dos pecados" (v. 3). Ele chamava as pessoas a um "batismo de conversão" (βάπτισμα μετανοίας) – isto é, a um arrependimento de coração –, preparando o povo para o "perdão dos pecados" (ἄφεσιν ἁμαρτιῶν), que Jesus, o próprio Deus feito homem, viria trazer à humanidade.

Essa mesma sequência é notável na estrutura do sacramento da Penitência: a primeira parte são os atos do penitente, que, arrependido de seus pecados, implora a misericórdia divina; a segunda, os atos do confessor, que, atuando em nome de Cristo, perdoa as faltas ao pecador.

Os atos do penitente são o principal objeto de exame deste Testemunho de Fé. Podem ser separados em três partes, como consta no Catecismo da Igreja Católica, § 1450:
"A penitência leva o pecador a tudo suportar de bom grado: no coração, (1) a contrição; na boca, (2) a confissão; nas obras, toda a humildade e (3) frutuosa satisfação."
1. Em primeiro lugar, portanto, vem a contrição. Com a inteligência, o penitente reconhece que pecou – é o exame de consciência; com a vontade, detesta o que fez – é a contrição propriamente dita; com essa mesma vontade, promete não mais pecar – é o propósito de emenda.

Para saber se algo é pecado, não é necessário fazer um curso de ética (muito embora um conhecimento básico da chamada "teologia moral" seja vivamente recomendado a todos os cristãos); basta ter fé no Deus que revela o que é bom e o que é mau, nos Dez Mandamentos, por exemplo.

Ilustra bem essa lição um episódio da vida de São José de Anchieta. Atendendo, no leito de morte, a uma índia conversa à fé cristã, ele perguntou-lhe se tinha ela um último pedido a fazer, antes de partir à vida eterna. A resposta da índia foi cômica: o que ela queria mesmo era uma sopa de dedinho de criança, a qual, porém, ela renunciava de bom grado, por não agradar a Deus. Mesmo tendo crescido a vida inteira acostumada às práticas canibais de sua tribo, essa indígena abandonou-as todas, só para contentar a Deus. Do mesmo modo, por exemplo, ainda que a um olhar viciado as drogas ou a prostituição pareçam boas ou agradáveis, pela fé sobrenatural, o penitente é levado a reconhecer que o seu termo é a perdição e a morte.

Para arrepender-se, não é necessário que se sintam externamente grandes abalos ou que se derrame um rio de lágrimas pelo que se fez; basta que, com uma vontade determinada, o penitente deteste profundamente os seus pecados e esteja disposto a jamais cometê-los de novo. Na verdade, da firmeza desse propósito depende a própria validade da Confissão sacramental. Sem uma determinação de abandonar o pecado firme, eficaz – isto é, "o penitente deve estar decidido a empregar todos os meios possíveis e indispensáveis para evitar o pecado" – e universal – ou seja, que se estenda a todos os pecados mortais, de uma só vez e para sempre –, não há absolvição que restitua a graça à alma [1].

Além disso, a graça que se recebe na Confissão é proporcional ao arrependimento que tem o penitente, como explica o Pe. Royo Marín:
"A intensidade do arrependimento, nascido sobretudo dos motivos da contrição perfeita, estará em razão direta com o grau de graça que a alma receberá com a absolvição sacramental. Com uma contrição intensíssima, a alma poderia obter não somente a remissão total de suas culpas e da pena temporal que teria de pagar por elas nesta vida ou no purgatório, mas também um aumento considerável de graça santificante, que a faria avançar a passos largos nos caminhos da perfeição. Tenha-se bem presente que, segundo a doutrina do Doutor Angélico, ao recobrar a graça no sacramento da penitência (ou fora dele, pela contrição perfeita com propósito de confessar-se), o pecador nem sempre a recebe no mesmo grau de antes, senão em igual, maior ou menor, de acordo com as suas disposições atuais (cf. S. Th., III, q. 89, a. 2). É da maior importância, pois, procurar a máxima intensidade possível no arrependimento e contrição para lograr recuperar o mesmo grau de graça ou quiçá maior que o que se possuía antes do pecado. Essa mesma doutrina vale também para o aumento da graça quando a alma se aproxima do sacramento já em possessão da mesma. Nada, pois, há de procurar com tanto empenho a alma que queira santificar-se como esta intensidade de contrição nascida do amor de Deus, da consideração de sua infinita bondade e misericórdia, do amor e sofrimentos de Cristo, da monstruosa ingratidão do pecado para com um Pai tão bom, que nos tem cumulado de incompreensíveis benefícios etc." [2]
Isso explica por que tantas pessoas, mesmo se confessando frequentemente, estejam decaindo cada vez mais na vida da graça, até o ponto de abandonarem a Igreja. Elas se confessam sim, mas com tanto desleixo, que, pouco a pouco, vão "esfriando" e perdendo até o que tinham (cf. Mt 13, 12).

2. Em segundo lugar, parte-se à acusação dos pecados. O termo "acusação" não é casual. O sacramento da Penitência é como um tribunal, no qual o pecador é, ao mesmo tempo, réu e promotor – não advogado. O penitente, portanto, não deve escusar-se, tentando "livrar a sua pele" ou diminuir a sua culpa. Como um promotor, ele simplesmente acusa o que fez, sem desculpas – deixando nas mãos do misericordiosíssimo Juiz a parte da sentença.

A acusação que se faz deve ser íntegra, i.e., "o fiel tem obrigação de confessar, na sua espécie e número, todos os pecados graves, de que se lembrar após diligente exame de consciência, cometidos depois do batismo e ainda não diretamente perdoados pelo poder das chaves da Igreja nem acusados em confissão individual" [3]. Não é necessário revelar todas as circunstâncias em que se deram os pecados, prolongando desmesuradamente a confissão, mas tão somente aquelas que mudam a espécie do pecado. Explica o Pe. Del Greco:
"Os pecados devem ser acusados de acordo com a espécie ínfima: deve-se declarar seu nome e explicar a espécie; assim, não basta dizer: pequei gravemente, nem: pequei gravemente contra a castidade, sem explicar de que espécie foi o pecado.
(...)
Devem ser acusados de acordo com o número exato, se for lembrado, ou conforme um número aproximado, dizendo por exemplo: cometi este pecado por tantas vezes. Se mais tarde houver um esclarecimento acerca do número exato do pecado cometido, não há obrigação de nova confissão e de corrigir o erro, salvo no caso em que o número declarado seja notavelmente inferior ao verdadeiro.
Se o penitente estava habituado à prática de algum pecado, será mais vantajoso que diga quantas vezes, mais ou menos, costumava pecar por dia, por semana, por mês. Assim, por exemplo, uma meretriz deve acusar-se da frequência da fornicação, por semana ou por dia.
(...)
Devem ser especificadas de modo particular: a) as circunstâncias que mudam a espécie da moralidade, por exemplo, se se fez uma obra boa, ou mesmo indiferente, com fim mau; b) as circunstâncias que mudam a espécie do pecado: que acrescentam ao pecado uma nova e grave malícia, especificamente diversa; por exemplo: roubar um objeto sacro; c) as circunstâncias que mudam a espécie teológica, isto é, que tornam mortal um pecado venial." [4]
3. Por fim, chega-se à etapa da satisfação, que consiste em reparar o dano que se causou com o pecado cometido. Normalmente, as penitências impostas pelo sacerdote são simples, como rezar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria ou um Salmo penitencial. O fiel, porém, pode generosamente acrescentar outras práticas penitenciais que o ajudem a viver em contínuo espírito de arrependimento.

Depois disso, o sacerdote traça sobre o fiel o sinal da cruz e, agindo in persona ipsius Christi, perdoa-lhe os pecados. É a grande alegria do tribunal da Penitência: todo réu que arrependido nele entra, jamais é condenado, mas sempre absolvido. Graças sejam dadas a Cristo por Sua infinita misericórdia! T

Referências:

DEL GRECO, Teodoro da Torre. Compêndio de Teologia Moral. São Paulo: Paulinas, 1959, p. 566.
ROYO MARÍN, Antonio. Teología de la Perfección Cristiana. Madrid: BAC, 1962, p. 418.
Código de Direito Canônico, cân. 988, § 1.
DEL GRECO, Op. cit., pp. 570-571.



sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Beatificação de Mártires Franciscanos Conventuais no Peru


Os jovens sacerdotes Frei Michał Tomaszek e Frei Zbigniew Strzałkowski, de 31 e 33 anos, poderiam ter ficado e Częstochowa (Polônia), em agosto de 1991 para a Jornada Mundial da Juventude. E de fato "estiveram", nomeados pessoalmente por João Paulo II no dia 13 de agosto daquele mesmo ano: "Temos novos mártires no Peru", proclamou o Papa. No dia 9 haviam sido assassinados pelo grupo terrorista de ideologia marxista e comunista Sendero Luminoso.

Os sacerdotes poloneses Frei Michał Tomaszek e Frei Zbigniew Strzałkowski foram assassinados em 9 de agosto de 1991, por um comando de aniquilamento, o Sendero Luminoso. Ambos integravam a Ordem dos Frades Menores Conventuais e, trabalhando como missionários na paróquia de Pariacoto (Huaraz), foram sequestrados e fuzilados pelos terroristas.

Duas semanas depois, em 25 de agosto de 1991, o sacerdote italiano Sandro Alessandro Dordi Negroni, da comunidade missionária Paradiso, também foi assassinado quando ia de Vinzos a Rinconada para celebrar um batismo. Em uma curva do caminho, seu veículo foi interceptado por outro carro. Os terroristas dispararam sem dizer palavra alguma. Sandro Dordi desenvolvia sua missão no Distrito de Santa, onde era muito querido. 

Michał havia hispanizado seu nome para "Miguel", para ser melhor compreendido e falado pelos fiéis de Pariacoto, na Cordilheira Negra. Zbigniew, como é óbvio, nem tentou fazê-lo. Mas ambos eram igualmente queridos pela população da Diocese de Chimbote à qual haviam levado fé, esperança e caridade.

Tinham vivido durante três anos sem luz elétrica, com uma comunicação deficiente, sofriam com a seca, padecendo, inclusive, de uma epidemia de cólera. Mas havia uma praga ainda pior: o terrorismo maoísta.

A causa de beatificação dos dois Franciscanos Conventuais foi aberta de imediato, 1995, e a "Positio" chegou ao Vaticano no final de 2011. O livro apontava, pois, a que um dia pudesse ser reconhecido o fato dos Freis Miguel e Zbigniew terem morrido in odium fidei [o ódio à Fé].

O Martírio: Naquela tarde do dia 9 de agosto de 1991, o povo começou a chegar pintado com as cores do Sendero Luminoso. Os frades franciscanos sabiam que isso significava um iminente assalto, mas continuaram com os seus trabalhos: o coro, o catecismo, a visita a um menino enfermo... Ao anoitecer, Frei Zbigniew fez a exposição do Santíssimo Sacramento, que durou até que chegou o Frei Miguel com a sua camionete para celebrar a Missa. Concluído o Santo Sacrifício, fecharam as portas da igreja.

Porém, um pouco depois as abriram à força alguns encapuzados, que entraram, lhes ataram e os levaram. A sós com os terroristas, os dois, à mercê dos bons ofícios negociadores do Frei Zbigniew, que lhes convenceu a que deixassem no convento os noviços. Lhes salvou a vida, porque em poucos minutos eram assassinados perto do cemitério, junto com o prefeito de Pariacoto e alguns idosos. Na volta, encontraram com o primeiro prefeito de Cochabamba e também o mataram.

Por quê os assassinaram? No trajeto desde a igreja ao lugar do fuzilamento se explicaram: suas Bíblias e Rosários enganavam o povo; sua ajuda aos mais pobres retardava a sua ira e dificultava a revolução; a proclamação da paz evangélica dissuadia os jovens de unirem-se ao grupo terrorista. 

A cerimônia de beatificação está programada para amanhã, Sábado, 5 de dezembro no estádio de Chimbote e será celebrada, representando o Papa Francisco, pelo Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação da Causa dos Santos, com a presença do Frei Angelo Paleri, Postulador Geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais.

Sua memória litúrgica será em 09 de Agosto, dia em que sofreram o Martírio. T

O noticiário do assassinato (em Espanhol)


A seguir, o vídeo da exumação dos corpos do Frei Michał Tomaszek e Frei Zbigniew Strzałkowski:


Site oficial da Beatificação: Beatificación Chimbote.







Nasce a Pontifícia Universidade Franciscana, em Roma


O ano de 2018 marcará a história de toda a Família Franciscana, com a criação da nova Pontifícia Universidade Franciscana, em Roma. O anúncio do projeto, que pré-anuncia um grande impacto no âmbito da formação universitária, foi dado no último domingo, 29. A nova Universidade surgirá a partir da união dos atuais centros acadêmicos franciscanos, em particular o Antonianum e o Seraphicum, de Roma, com o objetivo de criar um verdadeiro polo universitário de alta qualidade, capaz de atrair estudantes e pesquisadores.

Em uma Carta (leia abaixo), os Ministros Gerais Frei Marco Tasca (OFMConv.), Frei Mauro Jöhri (OFMCap.), Frei Michael Perry (OFM) e Frei Nicholas Polichnowski (TOR) escrevem que o projeto nasce da consciência de “como nestes tempos de divisão e fragmentação somos chamados a fazer emergir a nossa identidade unitária devida ao nosso ser filhos de São Francisco, herdeiros de sua experiência e intuição de vida evangélica”. Os religiosos recordam ainda o pedido do Papa Francisco aos Ministros Gerais – quando de sua visita a Assis em 4 de outubro de 2013 – para “serem sinais de unidade da comum identidade franciscana”, assim como a sua expressão de satisfação pelo início do projeto que responde também às indicações da Congregação para a Educação Católica para as Universidades romanas.

A decisão foi aplaudida pelo Reitor da Pontifícia Faculdade Teológica “São Boaventura” Seraphicum, gerida pelos Frades Menores Conventuais, que acompanhou de perto o caminho de unificação. “O tempo presente – observa Frei Domenico Paoletti – caracterizado pela revolução digital, pela globalização e pela fragmentação, está provocando a mudança do próprio mapa formativo nas nossas ordens e dos nossos centros acadêmicos, sempre mais interculturais, e necessitados de um centro de excelência que promova a cultura da qualidade e da unidade do saber segundo o paradigma filosófico e teológico franciscano. Por isto que a decisão da família franciscana de unir os atuais centros acadêmicos, em particular o Antonianum e o Seraphicum, é um grande evento com o objetivo de fazer da Universidade franciscana um verdadeiro polo universitário de alta qualidade, que atraia estudantes e pesquisadores”.

A Secretaria de Formação e Estudos das famílias franciscanas trabalha junto a um grupo de coordenação que deverá implementar esta nova realidade.

Leia abaixo a Carta dos Ministros sobre a nova Universidade:

Estimados irmãos, que o Senhor lhes dê a Paz! 

Queremos compartilhar com todos vocês um projeto que está iniciando: a nova Universidade Pontifícia Franciscana em Roma.

Ela nasce de um caminho que, há tempos, nós, Ministros Gerais da Primeira Ordem, temos trabalhado, ao escutar o Espírito que nos disse que nestes tempos de divisão e fragmentação, somos chamados a realizar a nossa identidade unitária devida ao nosso ser filhos de São Francisco, herdeiros de sua experiência e intuição de vida evangélica. Embora a história e as diversas sensibilidades e acentuações carismáticas nos tenham dividido, somos conscientes de que a Ordem, nascida da intuição de São Francisco é una e que a unidade na diversidade é a vocação à qual somos chamados, para ser sinais eloquentes na história, da presença e da ação do Deus-Comunhão de Pessoas.

Relendo a história que nos precedeu, não podemos negar que interpretações e itinerários podem também nos ter dividido: mas é uma história que, vista à luz dos sinais dos tempos, nos proporciona sentirmos que a riqueza também está na diversidade interpretativa. Com efeito, não faltaram, tampouco, itinerários comuns compartilhados na reflexão teológica e espiritual, no reconhecimento do primado do amor na revelação de Deus e em sua experiência prática e espiritual.

Os sinais dos tempos em que vivemos nos indicam, ademais, que as forças que o Senhor ainda nos dá não devem dispersar-se, mas eles nos pedem para colaborar em consonância, graças, inclusive, à fonte inspiradora comum.

A isto nos convida também a Exortação do Papa Francisco que, em 4 de outubro de 2013, em Assis, nos pediu para sermos sinais de unidade da comum identidade franciscana.

São estes os motivos principais que nos levaram à decisão tomada em 2 de outubro passado, durante o nosso encontro anual em Assis, de trabalhar na instituição de uma única Universidade Pontifícia Franciscana em Roma. De fato, cremos que é chegado o tempo de uma transformação significativa de nossas atuais presenças no mundo acadêmico romano, cujas forças não devem seguir divididas, mas serem reagrupadas na identidade que nos associa, inclusive, no campo do ministério intelectual. 

A partir deste patrimônio existente, queremos percorrer um caminho decidido, como expressão de novidade e de unidade, por uma presença sempre mais qualificada, desde o ponto de vista eclesial e universitário, que dirige as forças para um serviço intelectual mais significativo e eficaz.

Cremos que o projeto de uma única Universidade Franciscana se coloca na linha da missão evangelizadora própria da Igreja, a qual pretende permear “pela força do mesmo Evangelho o modo de pensar, os critérios de juízo e as normas de atuação” do homem (Sapientia Christiana, nº 1). 

Como expressão acadêmica unitária da Família Franciscana, o seu compromisso terá o cuidado de valorizar a peculiaridade “sapiencial” do primado do amor próprio à Escola Franciscana, oferecendo um novo vigor à via afetiva que, através da história, foi amplamente reconhecida. 

Se trata de uma tradição de pensamento e experiência que hoje, iluminada pela reflexão eclesial contemporânea, provocada pelos questionamentos e inquietudes do homem e das culturas, pode servir como instrumento de renovação conceitual, para expressar com as palavras do homem de hoje a beleza da vida divina que, por graça, habita em nós.

Os docentes dos Centros acadêmicos romanos já foram contatados e nos queremos valer particularmente de sua preciosa contribuição no caminho que nos leva a realizar este exigente, porém fascinante projeto. Sabemos que também no Vaticano, até os mais altos níveis, se alegram muito por esta iniciativa, que corresponde ainda às indicações da Congregação para a Educação Católica dadas às universidades romanas.

Para isto, pedimos às Secretarias para a Formação e os Estudos de nossas Famílias, que formem um grupo coordenador que elabore um itinerário por etapas, que leve a esta nova realidade acadêmica a, no mais tardar, na Páscoa de 2018. Pedimos a colaboração de todos, de modo que cresça e se desenvolva este gérmen de vitalidade franciscana que dá testemunho também de um desejo de unidade, reconciliação e criatividade de que o mundo necessita. T

Seus Ministros e Servos,

____________________
Fr. Marco Tasca, OFMConv. 
Fr. Mauro Jöhri, OFMCap.
Fr. Michael A. Perry, OFM 
Fr. Nicholas Polichnowski, TOR

Roma, em 29 de novembro de 2015, Festa de Todos os Santos Franciscanos

Trad. Adapt.: Cleiton Robsonn.


Veja algumas fotos deste encontro histórico no Seraphicum:







Os Ministros Gerais







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